No terceiro século antes de Cristo, a escritura judaica foi traduzida para o grego. Este parecia ser um sonho de Alexandre, o grande imperador da Grécia, ter as obras de todos os povos subjugadas traduzidas para sua língua, o grego. Esta iniciativa fazia parte de um grande empreendimento de helenização, ou seja, de difusão da cultura grega. Tal iniciativa foi apoiada pelos judeus da diáspora (dispersão dos judeus pelo mundo por ocasião de algum conflito ou domínio em sua terra natal), pois grande número deles já não era mais fluente em hebraico, língua original dos escritos bíblicos do AT.

Esta tradução ficou conhecida como a Septuaginta, abreviada como “LXX”. O nome Septuaginta vem da palavra grega “setenta”, conforme uma lenda de que setenta e dois rabinos trabalharam nessa tradução.Antes que o Novo Testamento fosse formado, a Septuaginta era a única bíblia que os cristãos tinham para usar.

No final do século I dC, porém, as autoridades religiosas do judaísmo estabeleceram um cânon oficial do judaísmo que excluía livros originalmente escritos em grego, ou seja, aqueles cuja versão não fora encontrada em hebraico. Mas os cristãos não seguiram o cânon oficializado pelas autoridades religiosas do judaísmo e continuaram a usar o texto da Septuaginta.

Em 1500, os líderes protestantes decidiram organizar o material do Antigo Testamento de acordo com o cânone oficial do judaísmo, em vez da Septuaginta. É uma longa história, mas basta saber que Lutero, ao traduzir a Bíblia para o alemão, deixou como anexo os livros deuterocanônicos, ou seja, aqueles cujo original se encontrava em grego. A decisão de Lutero tem a ver com a polêmica sobre as indulgências, estopim que provocara a Reforma Protestante. Lutero entendera que seria melhor deixar esses livros de lado, pois no 2Macabeus havia pequena brecha que justificava – no entender da doutrina católica – a famosa prática que o reformador tanto combatera. Para tirar um livro, foi coerente: seguiu o cânone antigo, adotado pelo judaísmo.

A Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas não seguiram as determinações protestantes e continuaram a basear seu Antigo Testamento na Septuaginta. O resultado é que essas versões da Bíblia têm mais livros do Antigo Testamento do que a maioria das versões protestantes. Na bíblia católica temos 46 livros, enquanto que na bíblia protestante temos 39. Não pertencem ao cânone protestante os livros deuterocanônicos (aqueles que foram canonizados num segundo momento): Eclesiástico, Baruc, Tobias, Judite, Sabedoria, 1 e 2Macabeus, e ainda trechos de Daniel (entre eles as histórias de Susana, de Bel e do Dragão) e Ester.

As Igrejas Católicas Ortodoxas incluem em seu cânon ainda alguns outros livros: 1 e 2Esdras, Oração de Manassés, 3Macabeus e o Salmo 151.

E o Novo Testamento? Para protestantes, católicos e ortodoxos o Novo Testamento é idêntico, sendo composto de 27 livros. Logo, a bíblia protestante tem 66 livros e a católica, 73. Mas nada impede que o católico que só tem a bíblia protestante em casa a leia. É a mesma bíblia, com alguns poucos livros a menos. Só isso!


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