Sozinho, sentado no banco da praça, olho num átimo de tempo, o céu.
Apequenado, diante da imensidão, sofro as ausências do que nunca veio.
Meu olhar se demora como se eu coexistisse com o Mistério que me cobre.
Mas, não sou conatural a nada.
Ao contrário, sinto-me tão fora do lugar, tão fora de tudo,
que me fere não coincidir comigo mesmo.
É que há distinções profundas que não sei nomear.
Um apelo pelo que ainda não existe.

Levanto-me, cruzo os jardins da praça,
mas não me interessam flores, nem o verde, nem as árvores,
que outrora encantavam meus sonhos.
Não sonho. Quis viver a realidade,
mas não podia imaginar seus moinhos.

Esmaga-me a tristeza de não encontrar-te ó amor,
senão em soslaios de presença mal repartida, mal dosada.
E entre esguelhas percebi que me seduzes para lançar-me,
dia após dia, no banco da praça, sozinho.

Destino? Tenho escolhido permanecer aqui,
olhando o céu, enquanto tudo em mim grita: levanta-te.

Contudo, ouso esperar tuas misericórdias.
Que te apiedes deste mendigo,
que consoles esta penúria impiedosa e te aproximes,
sentando-te ao meu lado.


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