“O semeador saiu a semear” (Mc 4,3)

Em vários trechos da Escritura, podemos encontrar metáforas envolvendo cultivo, frutos, sementes, colheita. Desde o livro do Gênesis, as plantas foram dadas ao homem para promover a vida dos que se alimentassem de seus frutos ou sementes, como também para prover o sustento da posteridade: “Deus disse: Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isso será vosso alimento” (Gn 1,29).

No evangelho, Jesus nos convida a ser semeadores e também a ser sementes: semear sementes do evangelho, para ser sementes de esperança no mundo. Homens e mulheres de Deus conservaram e difundiram essa semente e, graças a eles, a fé foi difundida e chegou ao nosso coração. Impulsionados por aquele que anunciavam, os santos saíram a semear em toda a terra (cf. Mt 13,3), em todos os corações, sabendo que, apesar da grandeza dos sofrimentos que esse ofício impõe, “os que lançam as sementes entre lágrimas ceifarão com alegria” (Sl 125,5). Demonstrando sua fidelidade ao evangelho até a morte (cf. Jo 12,24), eles transmitiram vida no ofício de semear a Palavra de Deus e, assim, por meio de suas palavras e testemunho, transformaram-se eles próprios em sementes da fé. Fizeram com humildade de coração sua tarefa de semear, não atribuindo às suas capacidades o resultado de seu trabalho, mas à graça de Deus (cf. 1Co 3,6). Doaram-se por inteiro, na certeza de que, como disse Kahlil Gibran, “numa só semente de trigo há mais vida do que num montão de feno”.

Agradeçamos, então, ao Senhor por tão numerosos exemplos e peçamos que também nossa vida possa ser semente jogada na terra, que irá produzir frutos de alegria e paz no meio do mundo.

Ao Senhor, que é sementeira perene e colheita sem fim, toda glória pelos séculos dos séculos. Amém!


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