Na Igreja Católica, estamos acostumados a celebrar a liturgia sempre por motivação de algum sacramento. Celebramos a eucaristia, o batismo, o matrimônio etc. Raríssimas vezes, celebramos a Palavra de Deus, sem motivação de um dos sete sacramentos. Também não o fazemos quando temos ministros ordenados em número suficiente para atender o povo. Tendo o ministro ordenado, celebra-se a eucaristia; só em caso de carência de presbíteros, é que a comunidade cristã se reúne para celebrar a Palavra.

No princípio da Igreja, porém, não era assim. No catecumenato, por exemplo, havia diversas celebrações, com ritos, símbolos e gestos próprios, que ajudavam o catequizando a fazer sua experiência cristã de Deus, favoreciam o senso de pertença dos catecúmenos e fomentavam o prazer da comunhão, do convívio, da partilha.

Quem já participou dessas celebrações sabe da riqueza dessas liturgias e percebe como elas podem ser educativas e prazerosas. Celebrações penitenciais ou de louvor, de renovação das promessas do batismo ou de compromissos de discipulado… Tanto faz, o importante é estar junto, reunido na presença do Senhor, cantar, rezar, fazer comunhão, ouvir e acolher a Palavra de Deus.

Muitas comunidades tem se arriscado a tentar. Vamos a alguns exemplos:

1) Conheço uma paróquia onde o presbítero, desejoso de fazer uma catequese com os adultos, escolheu um dia da semana para reunir o povo e renovar as promessas batismais. Para as celebrações, a equipe prepara leituras próprias, cantos fáceis e belos, símbolos diversos; tudo bem preparado com bom gosto e capricho, facilitando a participação do povo e envolvendo a todos. Não tem faltado gente pra lotar a igreja. Por ocasião, o presbítero faz uma boa catequese, falando ao coração de sua gente, convidando-a a se comprometer com a Palavra de Deus. Muitos têm sentido seu coração tocado e começam a se comprometer com os trabalhos comunitários. O espírito de comunhão cresce entre os participantes e a gratuidade reina no ambiente. Ninguém está obrigado por preceito algum a participar dessas liturgias; vai-se por puro desejo de comunhão, por pura gratuidade. O presbítero observa que, além do bem que tais encontros fazem ao povo, depois de iniciada essa prática, as missas dominicais também ficaram mais animadas e o número de participantes aumentou sobremaneira.

2) Participei, há muito tempo atrás, de um grupo de reflexão bíblica entre universitários. Depois de algum tempo lendo e partilhando os textos de algum livro bíblico, ao final do estudo, a gente celebrava junto, cantando, rezando e partilhando as moções que a Escritura provocava em nós. Era uma experiência única. Saíamos de lá revigorados, refeitos pela partilha e pela alegria do encontro, desejosos de novos encontros que se seguiam. Assim, a eucaristia ficava reservada para ocasiões especiais e aumentava cada dia a ânsia de celebrá-la. Cada eucaristia que vinha se tornava uma festa; sem mesmice, sem rotina, sem obrigações preceituais… Puro dom de Deus, sinal de sua presença amoroso entre os seus. E as eucaristias eram preparada com capricho e bom gosto.

3) Trabalhei também em uma comunidade na qual fui responsável pela catequese. Depois de visitar cada família, inscrever as crianças, jovens e adultos para os encontros, vimos a necessidade de envolver toda a família no processo. Mas pais e mães normalmente não vão a reuniões de catequese; não têm tempo, não gostam etc. resolvemos dispensar as reuniões com pais e celebrar com os catequizandos e toda a família. Nada de missa! As famílias não eram assim tão católicas, nem queriam algo já conhecido. Começamos fazendo celebrações mais tímidas, mas sempre centradas na Palavra de Deus, com muitos símbolos e música. Com o tempo, os pais e as crianças foram se envolvendo e descobrindo a alegria de celebrar. Não demorou muito para vermos os efeitos do trabalho em toda a paróquia. Muitos despertaram para o desejo de celebrar a eucaristia, comprometeram-se com as atividades paroquiais e se tornaram ótimos membros da comunidade eclesial.

Que tal arriscar em algo novo? Fica aí a dica!


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