Lá vem o menino-Deus
Curar-nos de nossa adultice
– Esse jeito desencantado
De olhar a vida…

Esse jeito apressado de viver,
Levando tudo a sério demais.
Em disputas por vazios,
Para ver quem é mais infeliz.

Lá vem, porém, o Deus-menino,
Para nos curar da nossa caduquice
– esse jeito mordente de olhar a vida…

Esse agarrar-se a tudo,
Esse medo de todos,
Essa virulência contra os outros,
Dizendo nãos onde queríamos o sim.

Lá vem, enfim, o Deus-menino.
Vem sem a couraça divina,
Vem chorando numa manjedoura,
Que é pra força da gente aprender a arte

Da fragilidade.

fotografia: Roberto Cardoso


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