Numa cidade bem distante daqui, vivia um homem cuja atividade preferida era pescar. Sua fama como pescador era conhecida na região e causava inveja em pescadores antigos que, em tempos de crises das águas, já não conseguiam trazer peixe para o jantar. Mas esse pescador, não. Sua habilidade era tal que nunca voltava pra casa com a cesta de peixes vazia. Conhecedor dos rios, das águas, dos peixes e seus hábitos, das iscas e dos anzóis, o pescador seguia de rio em rio, trazendo quantidade generosa de peixes para casa, cada vez que se aventurava a sair para pescar.

Passado algum tempo, o pescador foi envelhecendo e ficou sem forças para pescarias mais ousadas. Não queria pegar o barco para atravessar o rio; não queria ir até rios mais distantes; só queria pescar na curva de um rio bem pertinho de sua casa, lá onde uma árvore tombada formava um confortável assento pra ele descansar.

Toda tarde, o velho pescador pegava seus apetrechos e ia para o rio. Assentava-se confortavelmente no galho tombado, pendurava sua matula num galho ao lado e passava horas pescando. Já não interessava mais se pegava peixes pequenos ou grandes; acostumou-se àquele lugar e pescar ali tornara-se seu passatempo preferido.

Certa vez, uma tempestade se abateu sobre a região. Uma enchente enorme fez transbordar as águas do rio, mudando o seu curso para um ou dois metros dali. Bem lá na curva do rio onde o pescador pescava, formou-se uma banca de areia com um filete minúsculo de água sobre ela. A árvore com seu galho tombado continuava ali, bem no lugar de sempre, oferecendo ainda seu confortável assento ao hóspede de todos os dias.

Passados os dias da enchente e recuperada a normalidade da vida, nosso pescador juntou as malas e foi pescar, afinal a rotina se estabelecera de novo com o baixar das águas. Para surpresa de toda a comunidade, o pescador foi direto para a curva do rio, onde formara um banco de areia. Assentou-se em seu galho preferido, pegou a vara, colocou anzol na isca e ficou dando banho em minhoca num filete de água sobre o amontoado de areia que ali se ajuntara. Nenhum peixe, é claro! Mas contam seus contemporâneos que o pobre pescador fez a mesma coisa todos os dias, até o fim de seus dias. Acostumado como estava à sua zona de conforto não foi capaz de inovar, mesmo com toda a sua experiência pregressa.

Por isso, fique firme nos bons hábitos, mas esteja sempre atento ao novo. Passam-se os anos, mudam-se os tempos. Somos chamados a inovar para manter a vida fluindo…


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