Muitos se perguntam se de fato é importante trabalhar com dinâmicas na catequese. Alguns alegam que a catequese antes não contava com esses recursos e deu seus frutos; sinal inequívoco disso é que estamos atuantes na comunidade eclesial, professando, celebrando, vivendo nossa fé. Alguns até oferecem resistência a essas práticas, desprezando o poder das mesmas.

Certamente, outrora, a fé foi transmitida de outra forma. A sociedade se configurava em outro molde; as pessoas tinham outras prioridades e outros gostos; a religião cristã tinha hegemonia… Não é o caso, hoje, em tempos de pluralismo, inclusive religioso; de afirmação da liberdade, inclusive religiosa; de construção da interioridade, passando inclusive pela personalização da fé. Para novos tempos, novo paradigma catequético

As atividades pedagógicas atualmente são parte integrante da catequese, se optamos pelo estilo encontro no lugar da tradicional aula de catequese. Nas aulas, o quadro, o caderno e o livro eram nossas ferramentas. Eles ajudavam na exposição-assimilação dos conteúdos ensinados. Nos encontros, as atividades pedagógicas são o recurso principal para ajudar na reafirmação da experiência de fé que se deseja proporcionar ao catequizando, na socialização dos participantes da catequese e também na assimilação dos conteúdos partilhados. Isso tudo sem dizer que elas muito contribuem para resgatar o prazer de fazer catequese, ou seja, o caráter lúdico dos encontros.

As dinâmicas não são meras brincadeiras divertidas. Não basta alegrar o encontro, por exemplo, cantando muito. Não é qualquer música que cumpre sua função pedagógica nos encontros. Nem basta fazer uma gincana só para animar a turma, incentivando o espírito de competição entre os adolescentes, por exemplo. As atividades pedagógicas nascem de uma boa reflexão do texto bíblico, de uma boa interiorização do tema proposto. Elas se coadunam com a reflexão do encontro, ajudando a reafirmar a experiência de fé que o encontro proporcionou.

Normalmente, guardamos muito mais as atividades pedagógicas que longos discursos ou explicações teológicas. Uma história bem contada fica guardada no coração, enquanto que a exposição de um tema pode virar fumaça assim que a catequese acaba. Uma música animada com gestos e coreografia não cai no esquecimento, enquanto que um dever de casa em forma de perguntas tem a tendência de ficar só no caderno. Um jogo da memória traz mais resultados efetivos que horas a fio tentando decorar algo. E um momento orante faz mais mudanças no coração que mil discursos moralistas. Não é bom desdenhar a força dessas atividades.


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