Mas é difícil não me recordar do que dizia um professor: dá pra tolerar tudo, menos a intolerância. Legitimar isso pode ser fruto da liberdade de mais de metade da população brasileira, mas não pode ser minha opção. Respeito a opção dos meus amigos, dos cristãos que convivem comigo, mas não posso compactuar com ela.

Vocês não perdem minhas orações nem minha fraternidade quando for necessário; é pelo Cristo que faço o que faço. Mas não me peçam nada além disso: nenhuma amizade, nenhuma simpatia. Porque como dizia um certo texto bíblico, há uma espada que nos divide, uma paz que não pode se dar entre nós, porque não comungamos do mesmo evangelho, o do único mestre que conheço (Mt 10,34ss).

Não posso defender a morte, a tortura, o preconceito, o ódio, a mentira, a possibilidade de perda da liberdade. Espero estar errado, redondamente errado e que vocês estejam certos, mas apesar dos pesares quanto ao outro candidato, só tenho a lamentar que ele não tenha vencido diante das posturas e truculências de Bolsonaro e seus correligionários.

É possível continuar amando de quem a gente discorda. É possível amar, ter compaixão, mas não me peçam pra ser amigo. Não solicitem minha companhia ou carinho.

Em minha opinião vocês cometeram um erro gravíssimo. Espero que o tempo mostre o contrário.


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