Maria, a mãe de Jesus, costuma receber uma espécie de “culto” da parte dos católicos. Certamente não é o mesmo culto que se oferece a Jesus, o seu filho. A palavra culto nem é bem empregada nesses casos, mas é o que popularmente se diz. Na verdade, a fé católica não cultua Maria; a Igreja lhe dá um lugar de destaque por entender que seu exemplo de fé e de acolhida da Palavra de Deus serve de testemunho para nós. Alguns até dizem: “Tenho muita fé em Maria ou em nossa Senhora!”. Na verdade, fé a gente só tem em Deus; só nele a gente deposita a nossa confiança. Maria é uma testemunha dessa fé e nos incentiva, com seu exemplo, a seguir crendo em Jesus. Tal é a importância de Maria na fé católica que, entre nós, ela ganha muitos títulos. Vejamos alguns deles:

Maria, mãe de Deus: Sendo Jesus de natureza divina, ou seja, sendo ele também Deus, a Igreja diz que Maria é mãe de Deus – o que, com o devido entendimento, faz sentido. Ela é mãe de Jesus, que é Deus. Por isso, rezamos: Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores… Não queremos dizer com isso que Maria é mãe de Deus Pai. Apenas realçamos a divindade de Cristo, quando chamamos Maria de mãe de Deus. Esse título de Maria diz mais sobre Jesus – que ele é Deus – que propriamente sobre Maria. Foi com preocupação cristológica (ou seja, alguns negavam a divindade de Cristo), que Maria ganhou esse título.

Maria, nossa mãe: A Igreja aprendeu a chamar a mãe de Jesus de mãe da humanidade ou, carinhosamente, de nossa mãe. É uma afirmação meramente espiritual ou devocional. Nós sabemos que não somos filhos de Maria no sentido genético do termo. Nós a chamamos de mãe porque em Jesus nascemos de novo para a vida. No Evangelho de João (cf. 19,25-27), há um relato em que Jesus, já pregado na cruz, diz ao “discípulo amado”: “Filho, eis aí a tua mãe”. E diz à mãe de Jesus: “Eis aí teu filho”. Se nós entendemos que discípulos amados somos todos nós, então, a mãe de Jesus é também nossa mãe, e nós somos seus filhos queridos.

Maria, nossa Senhora: Chamamos Maria de Nossa Senhora e alguns acham que isso é um exagero, pois só temos um Senhor que é Cristo. Aqui temos uma questão de linguagem. No sentido estrito de ser nosso salvador, aquele que deu a vida por nós, aquele que nos guia no caminho da salvação, aquele que é caminho, verdade e vida – nesse sentido teológico, só Jesus é o Senhor (cf. Fl 2,6-11). Nesse sentido, podemos dizer que só Jesus é “o Senhor”. Mas, entre nós, chamar alguém de senhor ou de senhora é uma questão de respeito. Costumamos chamar assim as pessoas mais velhas ou nossos pais. Não estamos lidando com uma expressão teológica, mas com uma forma respeitosa de tratamento. Chamar Maria de Nossa Senhora é somente isso: uma forma respeitosa de tratamento. Sabemos, com certeza, que no sentido da salvação, só Jesus é o Senhor.

Maria, mulher do sim: Uma coisa muito bonita na vida de Maria é a sua capacidade de dizer sempre sim a Deus e de se colocar à disposição da vontade divina. Coisa nada fácil é nos colocarmos inteiramente nas mãos de Deus e nos prontificarmos para sempre fazer a sua vontade, ou seja, viver segundo seus ensinamentos. Em muitos momentos, preferimos fazer a nossa vontade. Maria aceitou o desafio de fazer a vontade de Deus, dizendo sim a Ele (Lc 1,26-38). Toda a sua vida foi um constante sim a Deus, pois se entendia como a serva do Senhor. Ela manteve o seu sim em momentos alegres e difíceis. E foi fiel até o fim. O evangelista João diz que, mesmo aos pés da cruz, quando muitos discípulos fugiram, a mãe de Jesus estava lá de pé. E não só na cruz. Mesmo depois da morte de Jesus, ela é citada em Atos dos Apóstolos, entre os discípulos, dando continuidade à obra de Cristo (cf. At 1,12-14). Por isso tudo, a mãe de Jesus se tornou símbolo de fidelidade.

Notemos que Maria, com o tempo, foi caindo no gosto popular e foi recebendo diversos qualificativos, ou seja, nomes que expressam qualidades e formas de devoção. Todos estes nomes se referem à mesma pessoa: Maria, mãe de Jesus. Seus qualificativos são inúmeros. Vejamos alguns: Nossa Senhora Aparecida, porque sua imagem “apareceu”, isto é, foi pescada por um grupo de pescadores em um rio, no estado de São Paulo; Nossa Senhora do Rosário, por causa da devoção de se rezar o rosário, ou terço, com orações marianas; Nossa Senhora Rosa Mística, para lembrar que ela é como uma flor perfumada no jardim de Deus; Nossa Senhora de Fátima, porque teria se manifestado a alguns fiéis na cidade de Fátima, em Portugal; Nossa Senhora da Glória, para lembrar que, depois de sua morte, Maria está na glória de Deus, no céu; Nossa Senhora das Graças, para lembrar que ela deseja que as graças de Deus nos envolvam sempre. E por aí vai. Os diversos nomes pelos quais Maria é conhecida mostram a sua popularidade entre o povo de fé. Mas não podemos pensar que se trata de muitas nossas senhoras. É sempre a mesma Maria, mãe de Jesus.

E poderíamos ainda falar da humildade da serva do Senhor, da prontidão para servir, da perseverança entre o grupo das santas mulheres que seguiam Jesus e de tantas outras qualidades que admiramos em Maria e que queremos cultivar também em nós. Com tudo isso, não fazemos de Maria uma espécie de “deusa”. Sabemos que ela foi uma mulher, um ser humano como outro qualquer, mas que se destacou no cumprimento de sua missão. É por isso os fiéis católicos a admiram.


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