Nas primeiras comunidades, os cristãos eram chamados de santos. Paulo endereça várias de suas cartas aos santos que moram em Éfeso (Ef 1,1); aos santos que estão em Filipos (Fl 1,1); aos irmãos em Cristo, santos e fiéis que moram em Colossas (Col 1,2). Ele está se referindo às pessoas de fé que, por se comprometerem com Jesus, participam da santidade do Filho de Deus. Esses santos e fiéis, em suas comunidades, trabalhando e vivendo na fé, são o que hoje chamamos de Igreja peregrina, ou seja, o povo de Deus, comprometido com Cristo, que, enquanto peregrina ou caminha por este mundo, já participa da santidade de Cristo. No começo da Igreja, os cristãos eram chamados de santos ainda em vida.

A terminologia santos, de certa forma, caiu em desuso. Ao longo do tempo, com o distanciamento do contexto bíblico, a palavra ganhou outra conotação: o sentido de não ter pecados. Como todos nós vivemos nossa santidade mas sempre em meio às fraquezas desse mundo, a Igreja, sem deixar de considerar os sinais de santidade que existem na vida das pessoas, passou a chamar de santos os que já estão na vida eterna, por estarem em comunhão mais plena com Deus e não mais sujeitos às fraquezas desse mundo. São aqueles que foram canonizados pela Igreja e que receberam lugar de destaque nos templos.

Para a fé católica, os mortos na verdade não estão mortos; eles vivem em Deus. A vida continua após a morte. Isso só ficou claro após a experiência do Cristo ressuscitado. Antes, no Antigo Testamento, se pensava que os mortos estivessem mesmo acabados ou dormindo em algum lugar. Vejamos o que diz um texto do AT: “Não são os mortos que louvam o Senhor, nem os que descem à região do silêncio. Mas nós, os vivos, bendizemos o Senhor, desde agora e para sempre” (Sl 115,17-18). Depois que Cristo ressuscitou, os discípulos compreenderam que os mortos não estão “na região do silêncio”, mas em Deus. Eles formam a Igreja que já está na glória, ou seja, a Igreja gloriosa.

Alguém poderia argumentar, dizendo que esses santos estão mortos. Mas nós diríamos que, em Cristo, a morte foi vencida. Depois de Cristo, entendemos que a morte não é o fim da vida, mas uma passagem para a eternidade. Os que morreram para este mundo estão vivos na glória de Deus.

Entre eles que já partiram para a casa do Pai e nós aqui na terra, há uma comunhão de amor e de fidelidade pois todos estamos unidos no mesmo Cristo. É a chamada comunhão dos santos. Os que já passaram pela grande tribulação e alcançaram a glória imortal se unem a nós que estamos ainda a caminho. O exemplo deles nos motiva. Então, a comunhão dos santos é essa amizade que rompe as barreiras da morte, do tempo e do espaço. É um laço forte e perene que se dá entre todos os que estão em Cristo. É uma experiência de solidariedade e amor, de compromisso uns com os outros, porque fazemos parte da mesma videira que é Jesus. Como os ramos de uma videira são solidários e unidos entre si, assim são todos que estão em Cristo: os vivos e os que já morreram, não importa. A ação de Jesus ultrapassa a morte.

Os santos fazem parte de nossa Igreja. Não estão mais nesse mundo, junto de nós, mas estão vivos em Deus. Nós nesse mundo formamos a Igreja peregrina – ou seja, os que ainda estão em missão nessa vida. Os que já partiram formam a Igreja gloriosa, junto do Pai. Um dia também nós vamos deixar de ser Igreja peregrina e passaremos a ser Igreja gloriosa. Engrossaremos o grupo dos que estão de pé diante do cordeiro, com palmas nas mãos e vestes brancas, como nos fala o Apocalipse. Vai ser uma festa!

 


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