“… ao passar num sábado pelas plantações,
seus discípulos começaram a abrir caminhos…”
(Mc 2,23).

 “Quem quer mais da vida,
faz diferente, cria caminhos, corre o risco”.
Roger Stankewski

Certa vez, visitando uma comunidade rural no Norte de Minas, me chamou atenção a facilidade do povo em abrir caminhos.

Era uma comunidade pequena, de mais ou menos trinta famílias, mas distantes umas das outras devido à grande extensão de terra e por ser uma região de fazendas. Havia uma estrada que dava acesso a todas as casas, porém devia contornar cada fazenda tornando as casas ainda mais distantes umas das outras.

Dentro das fazendas foram abertos caminhos que diminuíam as distâncias facilitando a aproximação entre as famílias, o que favorecia a partilha e o diálogo entre elas.Todos conheciam esses caminhos, do mais velho à menor das crianças, e ninguém se importava se as pessoas passavam no meio de sua propriedade, pois os caminhos favoreciam a todos.

O mais interessante é que ninguém desprezava a estrada, reconheciam o seu valor; porém, isso não os impedia de continuar a abrir caminhos. De uma forma ou de outra, todos os caminhos acabavam cruzando a estrada principal e ambos, estrada e caminhos, conduziam à meta: a comunhão entre as famílias.

Pode-se aprender deste povo simples uma nova postura diante da vida: a capacidade de não ficar preso às estradas prontas, mas ter a ousadia de abrir caminhos. Somente um coração livre, que busca viver a vida em sua plenitude, é capaz de tal atitude. Abandonar as respostas para viver as perguntas; acolher o novo e acreditar que por ele é possível chegar à meta desejada: a comunhão.

Jesus Cristo foi um homem livre, que abriu o caminho que nos conduz ao Pai, Ele mesmo se fez caminho. Os discípulos, olhando o mestre, se tornaram aqueles do “Caminho”; que, abandonando o legalismo do judaísmo, tiveram a coragem de segui-Lo. Hoje somos nós, que temos esta missão: abrir caminhos que favoreçam a aproximação e a comunhão das pessoas entre si e com Jesus Cristo. A mensagem do evangelho não cabe em uma única estrada. Não percamos, pois, as nossas forças tentando reduzir a novidade do Reino a parâmetros, mas sejamos capazes de ousar, de arriscar a abrir caminhos que conduzem à festa, à comunhão entre todos. Que se realize o Reino de Deus entre nós por caminhos novos que ousamos abrir!


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