Se tem algo que tem preocupado na catequese atualmente é a formação dos catequistas. Já virou lugar comum dizer que os catequistas não têm preparo suficiente para a missão que desempenham. Alguns, em nome dessa preparação, até suspendem os encontros catequéticos para formar primeiramente os catequistas. Bom, numa catequese escolar, onde o encontro catequético é confundido com aula de religião, até posso entender essa escolha. É preciso fazer do catequista um professor de catequese para que ele dê conta de ensinar a doutrina corretamente.

No Novo Testamento, no entanto, a missão principal dos seguidores de Jesus não aparece como ensino, apesar de Jesus algumas vezes mandar ensinar tudo que ele ensinou ou ele mesmo se mostrar como um mestre, que está sempre ensinando aos discípulos. Mesmo conhecendo esses textos, devemos reconhecer que o ensino do qual os evangelistas tratam nos seus relatos não se parece em nada com o ensino feito hoje na maioria dos percursos catequéticos. Quando Jesus manda ensinar, não se refere a um conjunto de verdades que devem ser conhecidas, mas a um modo de viver e de se relacionar com Deus. Todo seu ensinamento era diferenciado, como “quem tem autoridade” diz Marcos. Por quê? Porque Jesus não ensina coisas, nem dogmas, nem verdades absolutas. Jesus comunica Deus, mostra a face misericordiosa de Deus e, quando ensina doutrina, ele o faz em função de uma vida que deve ser ressignificada.

No Novo testamento, os discípulos se mostram muito mais como testemunhas que como mestres. Eles testemunham a fé que eles mesmos abraçaram. Não se trata evidentemente de um testemunho moral (ou moralista) como alguns poderiam entender. Trata-se de um testemunho existencial, de uma vida que ganhou sentido e plenitude no mistério pascal. É isso que os discípulos de Jesus comunicam. “Disso somos testemunhas”: tal expressão é frequente nos Atos dos Apóstolos.

Numa catequese iniciática, a presença do catequista como testemunha é de primordial importância. Para ser testemunha, o catequista não deve ser mestre em teologia ou em doutrina da Igreja ou em Bíblia. Deve apenas estar sempre disposto ao mergulho no mistério pascal, de forma que, no encontro catequético, ele próprio será de novo iniciado na fé cristã. O catequista é comparado não a um professor que ensina a nadar, com técnicas sofisticadas de natação, mas sem se envolver no processo dos nadadores iniciantes. Não! Ele é comparado a alguém que ama nadar e se atira na piscina, em primeiro lugar. Então diz aos demais: “Venham! Está uma delícia! Vale a pena fazer esse mergulho!”. Na catequese que trabalha com a pedagogia da iniciação, o catequista aprende a nadar nadando, assim como seus catequizandos. Cada encontro é ocasião para novo encontro com Deus.


Reflita anterior:    29. Catequese orante
Próximo reflita:     31. Testemunhas do Ressuscitado
Print Friendly, PDF & Email