Desde os tempos messiânicos em que Jesus anunciava o Reino de Deus até os dias atuais, a catequese foi sendo moldada a partir dos desafios que lhe eram impostos. Em um ambiente predominantemente judaico, Jesus anunciava o Reino através do encontro pessoal com Deus, nele plenamente revelado, fazendo emergir valores capazes de reconfigurar a vida do homem, voltando-o, novamente, para seu criador. Seus discípulos, enfrentando os obstáculos impostos pelas perseguições, após terem experienciado a presença do Ressuscitado, anunciam, destemidamente, seu evangelho, convidando todos a pessoalmente fazerem a experiência regeneradora do Cristo. Impelidos pelo testemunho apostólico, seus sucessores deram continuidade à missão evangelizadora da Igreja, primeiramente perseguida e depois aceita e oficializada como religião do Estado Romano.

Ao longo de toda a caminhada catequética, em conformidade com os obstáculos e desafios de cada época, foram sendo delineados os parâmetros que regeriam o processo de transmissão da fé: o catecumenato e o mergulho nos mistérios da fé; a catequese doutrinária em oposição à Reforma Protestante; a renovação catequética como resposta aos desafios da modernidade; a busca por um novo paradigma catequético que corresponda aos desafios da contemporaneidade. Caminhemos, brevemente, por essa história buscando reconhecer os fundamentos catequéticos para a transmissão da fé nos períodos históricos que nos precederam.

  1. A catequese nos primórdios do cristianismo

“Deixai as crianças e não as impeçais de vir a mim, pois delas é o Reino dos Céus” (Mt 19,14). A narrativa de Mateus apresentando-nos a postura de Jesus diante das crianças que acorriam a ele nos permite compreender a dinâmica evangelizadora de Cristo: a catequese do encontro,aberta a todos, permitindo que cada qual, que assim o deseja, mergulhe no mistério de Deus, sendo encharcado por ele. A “catequese evangelizadora”[1] de Jesus não se faz por meio de elaborados ensinamentos intelectuais, elucubrações teológicas, formulações dogmáticas e nem pela assimilação de inúmeras doutrinas, mas acontece no encontro com o λόγος, a Palavra de Deus encarnada. Não se trata de apresentar fórmulas doutrinais elaboradíssimas, mas de testemunhar a presença salvífica de Deus que liberta a pessoa capacitando-a para a vida plena. Trata-se da comunicação de uma boa-nova por meio de palavras e gestos que testemunham a presença do Ressuscitado (VILLEPELET, 2007, p. 59).

Ao ouvirem João Batista vociferar a presença de Jesus, o Cordeiro de Deus, dois de seus discípulos resolvem segui-lo para verificar pessoalmente a sua identidade. E, ao perceber que aqueles homens o seguiam, o que diz Jesus? “Vinde e vede” (Jo 1,39). Não se trata de um convite para matricular-se em uma escola rabínica para melhor conhecer a Lei e os Profetas, mas de um convite para experienciar a presença de Deus em Cristo, para pessoalmente mergulhar no mistério do Pai, plenamente revelado no seu Filho. O anúncio da boa-nova inicia-se, portanto, na experiência pessoal de Jesus Cristo, na intimidade do encontro com o “Deus Encarnado”. “Em Jesus Cristo, verbo encarnado, Deus fala ao homem e essa palavra ilumina a experiência humana em seus diferentes aspectos. A fé em Jesus Cristo assume as diversas dimensões da existência, as integra, as unifica e lhes dá sentido” (VILLEPELET, 2006, p. 93)[2].

A encarnação do Verbo de Deus não se faz no intuito de destruir ou reconstruir as estruturas humanas existentes, nem as leis que normatizam o convívio social, mas no desejo de anunciar o Reino de Deus e os valores que provêm dele, fazendo com que as pessoas confrontem sua vida com os projetos salvíficos do Criador. Em Cristo, é aberto à humanidade o acesso direto ao Pai no seu Santo Espírito para que o homem mergulhe em seu mistério, deixando-se encharcar por ele, participando da natureza divina do Filho como amados filhos do Pai (DV 15). No encontro pessoal com Jesus, a humanidade se abre ao mistério de Deus e tem sua vida confrontada com os valores do Reino, identificando os pontos de congruência a serem mantidos e amplificados e os de incongruência a serem modificados ou substituídos.

“O semeador saiu a semear sua semente” (Lc 8,5). No anúncio do Reino de Deus, encontra-se o cerne do querigma messiânico. Ele semeou com sua palavra, com sua presença, com sua vida; acolheu os que creram em seu anúncio; permaneceu aberto aos que, ao longo da caminhada, foram aderindo aos seus projetos, assumindo seus valores. Jesus compreendeu que cada terreno, cada realidade diversa, necessita de um modo de semear diferente e que o tempo de cultivo e a quantidade de frutos produzidos são diversificados, contemplando realidades que, num primeiro momento, nada produzirão, devido às condições existenciais, mas que nem por isso devem ser abandonadas. Por maior que sejam as dificuldades e os obstáculos, com esforço, dedicação, pela ação graciosa do próprio Deus, sempre será possível o anúncio do Reino e a reconfiguração das vidas a partir dele (DGC, 15).

São inúmeros os relatos bíblicos que contam a experiência transformadora do encontro com Jesus. “Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: ‘Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo’”(Lc 19,8). Também a Samaritana fez bela experiência de encontro com Jesus: “A mulher, então deixou seu cântaro e correu à cidade dizendo a todos: ‘Vide ver um homem que me disse tudo o que fiz. Não seria ele o Cristo?’”(Jo 4,28s). Em ambos os casos, a experiência do Verbo encarnado gerou transformação interior, impulsionando aqueles que se encontraram com Jesus a confrontar a própria vida com os valores vivenciados, testemunhados e anunciados por ele. A partir desse encontro pessoal, tanto a vida de Zaqueu quanto a da Samaritana foram reconfiguradas; eles abandonaram um estilo de vida e assumiram uma vida nova pautada por valores do Reino. Até mesmo o homem rico que se aproximou de Jesus para saber como herdar a vida eterna saiu impactado por sua presença. Não estando naquele momento apto para assumir o caminho do seguimento que Jesus lhe aponta, o homem, “contristado com essa palavra saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens” (Mt 10, 22). É a experiência do lançamento da semente em terras não-boas, ainda não prontas para a semeadura. As dificuldades encontradas em algumas realidades podem dificultar o anúncio da boa-nova do Reino e, consequentemente, esse terreno terá dificuldades para produzir os frutos esperados. Todavia, o Messias não interdita tal terreno como terra definitivamente improdutiva. Pelo contrário, seu mandato é que o evangelho continue a ser anunciado à toda criatura. A proposta salvífica de Deus nunca se fecha à adesão do homem, mas mantém-se sempre aberta para que todos, a seu tempo e de maneira consciente e livre, assumam (ou até rejeitem) o mergulho no mistério e a inserção no Reino prometido.

Essa missão de propiciar o encontro com o Ressuscitado, a experiência da Páscoa do Verbo de Deus, de sua vitória sobre a morte, é responsabilidade primordial da Igreja, confiada a ela pelo próprio Cristo. Toda a ação da Igreja deve ser no intuito de proporcionar um mergulho nesse mistério; comunicar uma experiência pessoal do Ressuscitado que transforma a vida, a forma de ver o mundo e de agir nele. “Ide por todo o mundo, proclamai o evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). Eis o fundamento da missão da Igreja: o evangelho, a vida de Jesus. O que o Messias anunciou e os apóstolos muito bem compreenderam é que somente um encontro pessoal com o Ressuscitado, um mergulho no seu mistério, é capaz de transformar verdadeiramente a vida das pessoas para que elas abracem os valores que emanam de seu coração inserindo-se no Reino por ele prometido.

  1. Os mensageiros do Ressuscitado

Como semeadores, anunciadores da boa-nova do Reino, Jesus envia seus discípulos a proclamar a salvação, convidando a todos para um encontro pessoal com o Ressuscitado. Não se trata de anunciar normatizações doutrinárias ou preceitos morais, mas de convidar ao encontro com o Cristo, fazendo com que brote do interior das pessoas os valores, infundidos pelo Criador, que parametrizarão a vida daqueles que o aceitam. O convite de Jesus a seus discípulos consiste em anunciar o evangelho a toda criatura, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. O foco do envio encontra-se “na descoberta do Evangelho como potência de vida e de renovação. O anúncio sempre reiterado da ressurreição e do senhorio de Cristo e a esperança que fazem jorrar são o coração do querigma cristão” (VILLEPELET, 2007, p. 53). Conhecendo os desafios e as dificuldades para o anúncio da boa-nova, o Mestre envia seus discípulos para fazê-lo pela força do seu Espírito. Os discípulos saem testemunhando o encontro com o Ressuscitado, capaz de renovar a vida das pessoas.

O apóstolo Paulo afirma: “Os judeus pedem sinais e os gregos andam em busca de sabedoria; nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gentios é loucura” (1Cor 1,22s). Os discípulos de Cristo não anunciam normas morais ou doutrinas, tampouco uma nova ideologia abstrata, mas o encontro com uma pessoa, concreta, real: Jesus de Nazaré, aquele que teve sua vida entregue na cruz. Primeiramente os discípulos experenciaram Cristo, caminharam com ele deixando-se impregnar deseus valores, não como uma realidade externa impositiva, mas como algo queemana de dentro de cada um deles, pela força da presença do Mestre. A partir de tal experiência, os seguidores de Cristo, pessoas simples, mas de coração aberto, permitiram-se revivificar pelo Senhor, reconfigurando a própria vida a partir do evangelho. Como novas criaturastransformadas pela presença do Mestre, assumiram a responsabilidade do anúncio a fim de propiciar a todos a mesma experiência vivificante que encantou suas vidas. Não prometem aos seus interlocutoresgrandes posses ou aquisição de numerosos conhecimentos intelectuais, mas a possibilidade do encontro com o Ressuscitado, capaz de renovar suas vidas e suas relações[3].

Ao acolher o Ressuscitado, um caminho de discipulado é iniciado. O seguimento de Jesus é a marca do discípulo, daquele que foi “conquistado por Cristo” (Fl 3,12). E o que é a catequese “senão formar discípulos para um seguimento autêntico do Senhor?” (LIMA, 2006, p. 6). Iniciados na escola de Jesus, seus discípulos buscaram dar continuidade ao anúncio, formando seguidores e anunciadores da boa-nova, pessoas que vivem e testemunham a experiência do encontro com o Ressuscitado. A catequese apostólica não busca intelectualizar, mas viver o mistério, a experiência pascal do Cordeiro de Deus. O mistério da presença vivificadora do Mestre é, primeiramente, experenciado, vivido, saboreado, para, depois, mistagogicamente, ser compreendido, não para criarem-se grandes ideologias, conceitos intelectuais ou normas morais, mas para continuar a ser vivido cada vez com maior intensidade e profundidade.

Vendo-se acompanhado pelos discípulos de João, Jesus “diz-lhes: ‘Vinde e vede’” (Jo 1,39). O convite feito pelo Mestre de Nazaré aos que se aproximaram dele não fora para aquisição de grandes conhecimentos intelectuais, mas para uma experiência pessoal que se deu pela proximidade. Antes de lançarem-se para o anúncio, os discípulos,que depois se tornaram anunciadores, experimentaram, viram, ouviram, sentiram; foram mergulhados no mistério para depois testemunharem o que vivenciaram, convidando todos a fazerem a mesma experiência. A grandiosidade força dessa experiência tornou-se capaz de transformar aqueles homens simples em intrépidos anunciadores do evangelho, não obstante as inúmeras perseguições que sofreram. Como explicar tamanha força frente a tantas perseguições? Como entender tanta entrega, a ponto de, como o Mestre, cada seguidor entregar sua própria vida pelo anúncio do Reino? Tal resposta só pode ser encontrada na experiência do mistério do Verbo encarnado, capaz de reconfigurar as vidas, dando um novo horizonte de sentido para a existência de quem dele se aproximava.

  1. Surgimento do Catecumenato na Igreja primitiva

“Eu, porém, o conheço, porque venho de junto dele, e foi ele quem me enviou” (Jo 7,29). Estas palavras proferidas por Jesus, narradas pelo evangelista João, mostram a relação de intimidade plena de Jesus com o Pai, a mesma intimidade que o Ressuscitado reserva àqueles que ama e envia em seu nome. Afirma João: “Como o Pai me enviou, eu vos envio” (Jo 20,21) ou ainda” “Permanecei no meu amor” (Jo 15,9). A experiência da intimidade com Jesus ajuda a compreender o seguimento na Igreja primitiva. As testemunhas diretas do Ressuscitado conseguiram, pela própria vida, fortalecidos pelo Espírito Santo, conduzir os que aderiram ao Messias a uma experiência pessoal com ele, a uma experiência de intimidade no amor. Tal experiência fora capaz de transformar os que recebiam esse testemunho, impulsionando-os à vivência e ao anuncio da boa-nova do evangelho, em meio a inúmeras hostilidades e martírios, resultado das perseguições.

Os primeiros seguidores de Cristo compreenderam que o seguimento do Mestre não consistia na rígida obediência de normas éticas e morais, que oprimem e roubam a liberdade humana, mas em experimentar, conforme as possibilidades de cada um, o mistério pascal de Cristo (VILLEPELET, 2007, p. 69). Motivados pelo testemunho dos apóstolos, novos candidatos à fé eram mergulhados no mistério de Deus revelado em Jesus Cristo, deixando-se conduzir num novo estilo de vida, uma vida nova. Inebriados por tal experiência aprofundavam-se no conhecimento de tal mistério para, a cada dia, experenciá-lo e anunciá-lo com maior profundidade.

No desejo de ver realizado o Reino prometido por Jesus, as primeiras comunidades cristãs continuavam “a semear o Evangelho no grande campo de Deus” (DGC, 16). Dentro de sua realidade, com todas as suas particularidades, os primeiros cristãos olhavam o mundo a partir de Cristo, levando as alegrias e esperanças da adesão a Jesus ao coração de todas as pessoas.Libertos pelo sacrifício pascal do Cordeiro, os cristãos eram renascidos como novas criaturas que vivem, testemunham e anunciam a boa-nova salvífica de Cristo.

Na Tradição da Igreja, o caráter verdadeiramente cristão sempre teve como marca essencial a experiência do Ressuscitado, o encontro pessoal com o Mestre, anunciado por testemunhas autênticas. Uma vez reconfigurados por tal experiência, os cristãos se sentiam capazes de transformar o mundo, alicerçados em valores que não emanam de normas e leis, mas em Deus que se deixa encontrar no seu Filho.Afinal, como afirmou oPapa Bento XVI afirma: “Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva” (DCE, 12). Ser cristão não é aderir a uma filosofia ou a uma doutrina, mas a uma pessoa real, Jesus, o Filho de Deus, capaz de reconfigurar nosso modo de ser e existir no mundo. Aqueles que passavam pela experiência do Ressuscitado, aderindo a ele, tornavam-se evangelizadores, testemunhando no dia-a-dia o mistério experimentado.

O crescimento das comunidades cristãs nos primeiros séculos da Era Cristã, em especial entre os gentios, fez surgir um processo organizado de evangelização, conhecido como catecumenato, processo catequético constituído de várias etapas e ritos, pensado exclusivamente para adultos. Sobre o catecumenato primitivo, afirma o CELAM:

A época mais bem-sucedida da catequese posterior à Igreja apostólica é a do catecumenato para a iniciação cristã de adultos, organizado no século II. Nesse período, a catequese continua sendo histórica e bíblica, cristocêntrica e pascal, comunitária e litúrgica; introduz numa moral centrada na fé, na esperança e na caridade, com predomínio do vivencial e do prático sobre o doutrinal e o teórico (2007, p. 60).

Apesar de ter configurações diversos, dependendo do local onde se implantava e da corrente teológica que vigorava, o catecumenato pode ser dito em três etapas: pré-catecumenato, catecumenato e mistagogia. Numa primeira etapa, chamada “pré-catecumenato”, o candidato manifestava seu desejo de abraçar a fé cristã e, para isso, buscava o apoio de um cristão, uma espécie de padrinho que o apresentava à comunidade eclesial. Tendo sido interrogado acerca de seu desejo, o candidato era, pelo rito da admissão, instituído como catecúmeno.

Esse tempo privilegia as relações humanas calorosas, encontro real de amizade humana e tudo aquilo que seja expressão da acolhida da Igreja que valoriza aqueles que vêm ao seu encontro. O entrelaçamento da acolhida, do diálogo e da prece apresentará ao simpatizante o rosto da Igreja, e que a salvação não é uma ideologia. A Igreja vive o transcendente e pode expressá-lo em suas atitudes com um testemunho convicto, a ponto de o simpatizante tomar uma decisão fundamental em sua vida (LELO, 2005, p. 53-54).

Tendo sido admitido como catecúmeno, iniciava-se, o “catecumenato” propriamente dito, etapa em que o candidato tinha contato com a Palavra de Deus e dela se alimentava por meio do testemunho e do ensino dos catequistas e através de ritos litúrgicos específicos. Nessa etapa, o catecúmeno era formado, educado na fé, recebendo o alimento da Palavra de Deus que o instigava a querer cada vez mais trilhar os caminhos do Ressuscitado. Não se trata de uma catequese baseada na intelecção de dogmas, doutrinas, preceitos morais, mas de um mergulho no mistério. Cada ensino, cada formação era pensada para favorecer a experiência do mistério Pascal de Cristo. Nesta etapa, o catecúmeno passava de uma fé-desejo, manifestada no pré-catecumenato, para uma fé-adesão. Ao candidato era propiciada uma experiência do mergulho no mistério, capaz de reconfigurar sua vida,suas ações e seus sentimentos a Cristo. Uma vez inseridos na comunidade de seguidores de Cristo, por meio do rito da iluminação ou eleição (batismo), os catecúmenos tornavam-se eleitos, escolhidos por Deus para viver a vida de Cristo. “O catecumenato é aquele período de formação cristã, de caráter catequético-litúrgico, criado pela Igreja dos primeiros séculos com o fim de preparar e acompanhar os convertidos adultos ao encontro do mistério de Cristo e da vida da comunidade eclesial” (CELAM, 2007, p. 108).

Tendo concluído as duas primeiras etapas com a recepção dos sacramentos da iniciação cristã(Batismo, Crisma e Eucaristia[4]), adentrava-se numa terceira etapa, em que os novos cristãos eram convidados a aprofundar mistagogicamenteo mistério experienciado para que este, a cada dia, ganhasse mais sentido em suas vidas. A catequese continuava após a páscoa (noite em que normalmente acontecia o rito da eleição ou batismo), auxiliando os novos cristãos a perceberem a profundidade do mistério vivido e celebrado. Por meio desse processo, os novos batizados eram confirmados na fé e chamados a anunciar com a própria vida, destemidamente, a fé que lhes fora transmitida. Como lembra Lelo,

Os tempos e etapas fundamentam o processo de uma conversão cada vez mais decidida para os valores da vida cristã. A conversão, por sua vez, apoia-se no crescimento da fé e ambas são alimentadas pelas celebrações litúrgicas, catequese e vida comunitária. Cada etapa supõe uma resposta de adesão sempre mais consciente do candidato, que igualmente lhe corresponderá uma vida sempre mais evangélica e intensamente teologal (2005, p. 53).

Mas nem tudo são flores na história. A catequese conhecerá uma mudança devido a novas configurações sociais e eclesiais que se impuseram.

  1. A catequese na Idade Média

Por volta do ano 313 dC, com a conversão de Constantino, a religião cristã deixa de ser perseguida, passando de religio ilicita para religio licita. Tal evento influencia a conversão de muitos que, seguindo o imperador, também se tornam cristãos. Com isso, o cristianismo experimenta um rápido crescimento. “No Ocidente, da Ilíria à Espanha, implanta-se uma centena de igrejas: a Itália central, o sul da Gália e a costa mediterrânea da Espanha são as zonas mais favorecidas”(PIERRARD, 1982, p. 26). Com Teodósio (380 dC), a religião cristã, antes perseguida e depois tolerada por Constantino, torna-se a religião oficial do Estado. Os que outrora foram perseguidos passam a perseguir. Com a sua oficialização, todos os nascidos sob domínio do Império Romano tornam-se, obrigatoriamente, cristãos ou estarão sujeitos a perseguições severas. Perde força o catecumenato, que vai pouco a pouco conhecer o declínio. Os filhos, que “já nascem cristãos”, são batizados na fé dos pais. Não há mais necessidade do catecumenato, pensado para adultos que desejavam a fé cristã. Nessa fase, a Igreja expande suas fronteiras, mas também enfrenta novos adversários, dentro e fora dela.

Se por um lado a Igreja cresce e se desenvolve, por outro, experimenta uma época de incertezas para o movimento cristão ainda recente, constantemente ameaçado por perseguições e heresias. A Igreja se vê pressionada pelos desafios lançados por seus críticos pagãos como por seus dissidentes cristãos e pseudocristãos, e sente-se mais e mais compelida a explicitar sua fé em termos claros e convincentes (COSTA, 2014, p. 100).

Enquanto o Império Romano sofre com a crise político-econômica, agonizando lentamente, a Igreja continua seu processo de crescimento e fortalecimento. Nesse processo de expansão da fé, a Igreja enfrenta ameaças. Tal período é marcado pelo aparecimento de grandes heresias: arianismo, eutiquismo, nestorianismo, apolinarismo etc. Surgem, então, os primeiros grandes concílios que buscam combater tais heresias, tematizando a fé(COSTA, 2014, p. 105). São eles:

  1. Niceia (325 dC): convocado por Constantino, buscou reafirmar a divindade de Jesus combatendo o arianismo que defendia a impossibilidade da encarnação de Deus.
  2. Constantinopla (381 dC): convocado por Teodósio I, afirmou a divindade do Espírito Santo e a dupla natureza de Jesus, humana e divina, combatendo os apolinaristas que defendiam a humanidade de Jesus como realidade apenas aparente, não real, e contra os pneumatômacos que defendiam que o Espírito Santo não era Deus.
  3. Éfeso (431 dC): afirma a dupla natureza de Jesus e a maternidade de Maria, Mãe de Deus, opondo-se ao nestorianismo que defendia Maria como mãe de Cristo (Kristotokos) e não como mãe de Deus (Theotokos).
  4. Calcedônia (451 dC): afirma que Jesus possui duas naturezas distintas, sem confusão, sem mudança, sem divisão ousem separação, combatendo o nestorianismo e oeutiquismo.

Nessa busca pela consolidação dos dogmas cristãos, combatendo as heresias, destaques sejam dados para “a ousadia, a seriedade e a profundidade teológica de Atanásio, Basílio Magno, Gregório de Nissa, Gregório Nazianzeno, João Crisóstomo e Cirilo de Alexandria”(COSTA, 2014, p. 105), cujas catequeses buscavam articular as Sagradas Escrituras e a Tradição para transmitir uma fé fundamentada nas fontes do cristianismo, livre de heresias que conduziam ao erro. Tais catequeses não se caracterizam como um discurso intelectualista-abstrato, mas como uma proposta de vida testemunhalmente apresentada que suscite no homem o desejo de buscar a Deus, aderindo ao seu Reino(COSTA, 2014, p. 116). 

Enquanto a teologia, suas bases fundamentais, era discutida em concílios, a fé popular crescia solta entre os medievais, que, não tendo acesso a toda essa reflexão, acorria para práticas piedosas que se firmavam na religiosidade popular. No tocante à religiosidade popular do homem medieval percebe-se fortemente impregnadas as seguintes características:

  • Transitoriedade da vida espaço-temporal e superioridade da vida eterna.
  • Insistência na luta entre o bem (Deus, anjos, santos, etc.) e o mal (diabos, demônios, etc.), traço da grande influência do maniqueísmo.
  • Grande valorização de relíquias e busca pelos lugares santos, o que justifica as cruzadas e as peregrinações à Terra Santa.
  • Evolução do culto mariano com a difusão da Ave-Maria (séc. XII-XV) e do Rosário (Séc. XV).

O indivíduo, inserido na cultura cristã que regia a sociedade, tinha uma adesão “automática” à fé dos pais. Na fé dos pais,os filhos eram batizados, inseridos na Igreja, Corpo místico de Cristo. A adesão à fé cristã deixa de ser uma decisão pessoal, longamente refletida e assumida no processo catecumenal, para se dar de forma automática por meio da imersão na cultura cristã que rege o convívio social. Aos poucos, o encontro pessoal com Cristo foi deixando de ser o fundamento para a conversão e a adesão à proposta de vida do mestre de Nazaré, cedendo espaço para a experiência cultural-religiosa. Teve inícioum “déficit de iniciação”(CHAUVET; MOLINARIO, 2006, p. 364)[5]: o indivíduo tornava-se cristão sem, verdadeiramente, ter experenciado a presença transformadora de Cristo. Muitos se tornavam discípulos sem terem se encontrado pessoalmente com o Mestre, buscando anunciar uma regra de vida que receberam, uma moral cristã ou uma doutrina que acolheram, sem, todavia, terem experimentado a presença do Ressuscitado.

  1. A urgente necessidade da catequese em razão da Reforma Protestante

Acreditando que o mergulho na sociedade culturalmente cristã era suficiente para fazer novos cristãos, a catequese ficou negligenciada até a ocasião do Concílio de Trento, quando a Igreja – vendo sua hegemonia ameaçada pela Reforma protestante – decidiu investir forças novamente na catequese. Martin Lutero em suas 96 teses colocava em xeque não só várias práticas eclesiais, mas a fundamentação teológica que as sustentava, como é o caso das indulgências. Em resposta às acusações de Lutero, o Concílio buscou consolidar a identidade do cristianismo católico apostólico romano (a partir dessa época, ser cristão já não significa necessariamente ser católico). Nasceu,a partir da necessidade de distinção entre fé católica e fé protestante,um paradigma catequético que sobreviverá na história da Igreja até nossos dias (CARMO, 2012, p. 70).

Nasce a era dos catecismos. “Depois de Trento […] a catequese tornou-se prioridade pastoral e os catecismos ganharam força no seio da Igreja” (CARMO, 2012, p. 82). O próprio Concílio incumbiu Carlos Borromeu de elaborar um catecismo para o povo (Catecismo dos Párocos, 1566), em geral para adultos. Tratava-se de uma Suma Teológica facilitada na qual se encontrava a doutrina católica. Todavia, quando do lançamento do Catecismo dos Párocos, Lutero já havia escrito dois catecismos. O Catecismo dos Párocos, de Carlos Borromeu, dividia-se em quatro partes: 1) Símbolos dos apóstolos; 2) Sacramentos; 3) Decálogo; 4) Orações.

Anterior ao Concílio de Trento e, portanto, ao Catecismo de Carlos Borromeu, foram são também os Catecismos de São Pedro Canísio – já em resposta às inquietações daquele tempo – composto de três obras: Maior (1555); Menor (1556) e Jovem (1558). Na obra de Canísio, a doutrina se apresentava mais acessível ao povo porque vinha em forma de perguntas e respostas. A adesão a esse modelo foi quase imediata, mostrando uma preferência do povo pelo Catecismo de Canísio em vez do Catecismo de Borromeu.

Além desses catecismos, destacaram-se o Catecismo de Belarmino (1598), muito recomendado pelos papas e, bem posteriormente, o Catecismo de Pio X (1905), papa que muito se preocupou com a catequese de crianças autorizando para os infantes a comunhão eucarística.

Marcas fundamentais de todos estes catecismos são o desejo de afirmar e difundir a doutrina cristã católica frente à crescente ameaça protestante, questionadora de várias práticas do cristianismo católico romano.Juntamente com os catecismos, surgiram as missões populares que tinham por objetivo difundi-los, levando, a todos os cantos, a doutrina católica, afirmando, assim, a identidade da Igreja Católica Romana frente às ameaças da Reforma.

  1. A renovação catequética

Os catecismos doutrinários se difundiram, se multiplicaram e se afirmaram sobremaneira em toda a Europa. Mas o advento da razão, especialmente marcado pelo Iluminismo e pela Revolução Francesa, trouxe consigo uma virada copernicana. A fé cristã, que explicava todas as coisas, foi – pouco a pouco – destituída de seu trono e obrigada a dar espaço para a razão. A sociedade passa de uma perspectiva teocêntrica para uma visão antropocêntrica. O centro do mundo deixa de ser Deus e passa a ser a razão humana. Diminui-se a força da Tradição e de tudo que ela representa: a força da Igreja, da fé cristã etc. Concomitantemente, ganha força, impulsionada por suas descobertas, a perspectiva tecnocientífica. A razão humana via-se capaz de buscar solução para os problemas, de sonhar com o progresso, de prometer melhorias para a vida… Ideias modernistas se afirmavam por todo lado, ganhando mais adeptos. Já não se pensava a vida, o ser humano e o mundo como outrora, quando tudo se via emoldurado pela fé cristã. Tudo respirava um ar novo de racionalidade e otimismo na capacidade humana. A Igreja seguia resoluta, afirmando a sociedade teocêntrica de outrora. Inglória foi sua luta. Sorrateiramente, tais ideias adentraram também na Igreja, que lhe resistiu por longo tempo, até ver eclodir, no seu interior, movimentos provocadores de mudanças, cujas bases já eram modernistas.

  1. Movimento bíblico: superação do trauma com relação à Sagrada Escritura advindo da Reforma Protestante.
  2. Movimento litúrgico: superação do rubricismo e da mentalidade de que a liturgia era propriedade do clero.
  3. Movimento ecumênico: superação da “teologia do retorno” (os que se foram que voltem), afirmada por longos séculos pela Igreja Romana em relação às Igrejas da Reforma; abertura para o diálogo e para a parceria com outras Igrejas Cristãs.
  4. Movimento missionário: percepção do valor das culturas não-cristãs e abertura ao diálogo inter-religioso.
  5. Movimento leigo: mudança do sujeito eclesial. O leigo antes considerado um sujeito passivo no funcionamento da Igreja, torna-se indivíduo-ator, agente sociotransformador.
  6. Movimento teológico: elaboração teológica consistente a partir de critérios epistemológicos da modernidade.
  7. Movimento social: reconhecimento, por parte da Igreja, da necessidade de envolver-se em questões sociais.
  8. Movimento catequético: elaboração de uma nova catequética que, a partir de inovações psicológicas e pedagógicas, percebe que o catequizando não é uma “tábula rasa”, mas sujeito ativo na construção de seu conhecimento.

O movimento catequético, surgido no começo do século XX, assumiu novo enfoque pedagógico: passou de uma catequese centrada nos catecismos e nos catequistas para uma catequese centrada no catequizando e na sua realidade. É a chamada renovação catequética que foi ganhando forma e visibilidade em toda a Europa, expandindo-se para todo o mundo. Seus princípios modernistas distanciaram sua catequética dos catecismos vigentes, cujo modelo doutrinário havia sido afirmado a partir de Trento. A renovação catequética formulou uma catequese antropológica, que foi reafirmada pelo Concílio Vaticano II, especialmente a partir do documento Dei Verbum.

O Concílio Ecumênico Vaticano II não abordou a catequese diretamente, em nenhum de seus textos. Todavia, apoiou a renovação catequética a partir da teologia, da eclesiologia e da antropologia que afirmou. Seu modo de ver a Igreja, o Mundo, a Escritura e o Leigo foi ponto de apoio para mudanças significativas na catequese. Proliferaram-se, a partir daí, vários documentos sobre a catequese e a evangelização em geral dando legitimidade à intuição da renovação catequética e confirmando o caminho de mudança que ela vinha propondo.

A renovação catequética na Europa adotou uma corrente antropológica, cujo fundamento é a subjetividade crítica com suas questões intelectuais. Influenciada pelo construtivismo de Piaget e Vygotsky, a catequese compreendeu que a construção do conhecimento se dá a partir do próprio sujeito, de seu caminho cognitivo. Elaborou-se, desde então, uma pedagogia catequética centrada no catequizando e na sua realidade. Sua inteligência crítica e racional tornou-se ponto de partida para conhecer Deus. Ganhou asas uma catequese antropológica, bem alicerçada num humanismo cristão.O foco da catequese deixou de ser o conteúdo a ser transmitido (a doutrina) e passou a ser o sujeito cognoscente. “A mera transmissão de doutrinas não era mais suficiente para responder aos apelos da modernidade. Era preciso um novo pensar teológico e uma nova pedagogia” (CARMO, 2012, p. 103).

Passa-se da memorização de conteúdos doutrinários para a construção do conhecimento a partir da experiência do sujeito. A salvação é proposta a partir da realidade concreta em que se vive. A insuficiência da catequese doutrinária, marca da cristandade, faz perceber a urgência deuma catequese baseada em teologia e pedagogia mais condizentes comos princípios modernistas do conhecimento.Na América Latina, a renovação catequética vai assumir contornos diferentes.

  1. A renovação catequética no Brasil

Enquanto a renovação catequética na Europa se definia como corrente antropológica; na América Latina, delineia-se umacorrente histórico-profética, comprometida com os pobres da realidade latino americana. É o deslocamento do foco da subjetividade crítica, adotada na Europa, para uma subjetividade prática (vertente social). Tal corrente fora acolhida com grande cuidado e apreço por vários catequetas brasileiros. No empenho de ver a renovação catequética implantar-se no Brasil, “destacamos o incansável zelo de Bernardo Cansi, Inês Broshuis, Wolfgang Gruen, José Israel Nery, Juan Luis de Gopegui, Therezinha Cruz e Luiz Alves de Lima” (CARMO, 2012, p. 58).

Nota-se uma passagem da transmissão da fé a partir da doutrina contida nos catecismos para a transmissão da fé por meio da leitura da realidade social do catequizando. Há uma valorização da hermenêutica. A fé é contextualizada e a mensagem do evangelho, apesar de seu valor universal, toma contornos locais, porque Deus se fez homem numa realidade concreta em Cristo. Os catecismos universais foram substituídos por manuais catequéticos elaborados a partir das realidades locais, valorizando-se a vivência da fé a partir da comunidade eclesial. É o começo da catequese renovada, que será reconhecida oficialmente pela Igreja no Brasil com o Documento 26 da CNBB, cuja elaboração sofreu grande influência da teologia da libertação. Uma realidade existencial marcada pelo regime ditatorial instigava a catequese a dedicar especial atenção para com o sofrimento do povo que clamava por libertação. Por isso, a catequese renovada (também chamada de libertadora) concedeu grande destaque à Sagrada Escritura, valorizando o método ver-julgar-agir. Ver a realidade local, o problema que ameaça a vida. Julgar à luz da Palavra de Deus essa realidade, procurando luzes para compreendê-la e modificá-la. Agir, pela força da Palavra de Deus, com coragem profética, em prol da vida ameaça. O princípio de integração fé e vidas e tornou marca registrada dessa catequese, fazendo com que ela fosse popularmente conhecida como catequese “pé no chão”.

Todavia, da mesma forma que a catequese doutrinaria dos catecismos demonstrara, outrora, sua insuficiência mediante as novas realidades e desafios emergentes, também hoje, a catequese “fé e vida” ou “pé no chão” apresenta-se defasada e insuficiente mediante os obstáculos e desafios da contemporaneidade. Urge pensar novos caminhos catequéticos.

[1]A princípio, a expressão “catequese evangelizadora” poderia soar como pleonasmo, mas a separação entre catequese e anúncio (principalmente o primeiro anúncio), em especial a partir da catequese doutrinária fundamentada nos catecismos (Trento), nos leva a compreender e a utilizar tal termo, entendendo que, apesar de serem realidades diferentes, sua relação direta é indispensável.

[2] Tradução nossa. Texto original: “En Jesucristo, Verbo encarnado, Dios habla al hombre; y esta palabra ilumina la experiencia humana y sus diferentes aspectos. La fe en Jesucristo asume las diversas dimensiones de la existencia, las integra, las unifica y les da sentido”.

[3]Segundo Palácio, a essência do cristianismo não é uma doutrina nem um conjunto de regras, mas uma pessoa, Jesus Cristo, diante de quem tudo é decidido (PALÁCIO, 1994, p. 312).

[4]Na noite da Vigília Pascal, os catecúmenos eram batizados; o sacramento do batismo era acompanhado da unção com o óleo do crisma e os eleitos eram admitidos à mesa da eucaristia.

[5]Konings fala de “falta de verdadeira iniciação cristã” (KONINGS, 2007, p. 14). E Clodovis Boff de “déficit espiritual” (1998, p. 303-334).


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