Sopra, Ruah,

Mas não suavemente.

Precisamos da sua impetuosidade,

Do sopro que alastra o fogo

Para que leiam os sinais de fumaça.

 

“Cada um os ouvia falar em sua própria língua”

– Nos prometeram –

Mas, isso já não é verdade.

Nossas línguas ainda continuam confundidas,

Não há compreensão entre nós.

Resgatamos os sons da terra

Do povo que conhecia o valor da vida.

O perigo se anunciava por fogo e fumaça,

Muito se dizia sem as palavras

 

E muito ainda se diz…

“Eu não consigo respirar”

“Eu não consigo respirar”

Um clamor pela vida quando a palavra não basta.

 

A fumaça parece muita para quem fala.

A fumaça parece pouca para quem é calado.

Eles fazem sinais de fumaça

E nós lemos revolta e rebelião.

 

Santa Ruah,

Pinta nossa cara branca, mas não com a cor da raça negra,

Porque não daríamos conta.

Pinta com o rubor da vergonha,

Porque apagamos o fogo com a água do apaziguamento.

 

No nosso analfabetismo,

Não lemos os sinais,

Não lemos a cor,

Não lemos a dor.

Lemos números.

Somos doutores em estatísticas:

Menos um, menos mil…

 

Menos água, Santa Ruah!

Deixa o fogo queimar.

Sopra com a impetuosidade das línguas que gritam,

Das línguas que clamam por ar.

Reaviva o Pentecostes da luta

Com o fogo que consome as estruturas,

Estruturas com as quais já não podemos mais lidar.


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