Chama-me
com tua voz de Pastor.

Chama-me pelo nome
e ajuda-me a crer
que, para além desse mar de angústia
e dessa solidão de indiferença,
em que nem números somos mais,
de tantos que já perdemos
para a morte ou para a apatia,
ao menos para ti,
ainda somos um “tu”
com nome e história,
com lágrima e esperança.

E leva-me para longe
das paredes seguras às quais,
um dia, penhorei a liberdade.

E, atento à tua voz, Pastor,
que me recorda o nome que me aviva,
o meu,
eu possa te seguir
pelas travessias sempre escorregadias
de ser eu mesmo.
Lá onde não há ‘rebanho’,
massa informe,
mas sempre “tu” e sempre “eu”,
naquilo único que faz viver:
o amor que me faz ver-te, enamorado,
e me faz ver-me, apaziguado.


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