Senhor,

tua mão trêmula aponta o caminho,

incerto, eu sei, mas possível.

Tua voz sufocada

– entre suspiros e inspirações profundas –

faz ver que lateja e dói

na alma

o verbo existir.

Viver é mistério.

Pois se há dor – e há –

o gozo se derrama do copo cheio

do teu olhar.

Na travessia da pinguela frágil

que se impõe entre

o nascimento e a morte,

coube-me por sorte apertar tua mão.

Tens minha mão na tua

e minha vida

(frágil e pequenina)

oscila confiante.

Melhor seguir segurando-a,

incerta,

errante,

a caminhar sozinha

sem tua respiração como guia.


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