Tudo ao redor mostra que os paradigmas catequéticos herdados de tempos anteriores caminham para a falência. As novas gerações se interessam cada vez menos pelo anúncio da fé cristã e, quando aceitam participar da catequese, quase sempre é por uma motivação meio estranha e não por interesse genuíno no que lhes é anunciado: receber um sacramento, cumprir um ritual familiar, manter as tradições, encerrar um ciclo iniciado, cumprir um rito meio mágico ou supersticioso etc. Tendo se sujeitado aos modelos que as comunidades eclesiais oferecem, as crianças, jovens e até mesmo os adultos mostram-se aflitos para encerrar o itinerário proposto e verem-se livre das obrigações catequéticas impostas. Poucos perseveram depois dos sacramentos; a maioria dá adeus definitivo à comunidade eclesial na crisma ou até mesmo na primeira comunhão e, para muitos, última comunhão. Além disso, a catequese com adultos é praticamente inexistente e a dedicação quase exclusiva da catequese às crianças já sinaliza a falência dos paradigmas que aí estão. Então, o que fazer? Parece que é tempo de arriscarmos em novos paradigmas catequéticos, pois, ainda que desconhecidos, podem oferecer ares novos à Igreja.

Deixar um paradigma certeiro para ir ao encontro de outro desconhecido é sempre arriscado. Os paradigmas anteriores certamente se firmaram por oferecerem conquistas importantes; nenhum deles se estabeleceu sem apresentar resultados positivos, sem ajudar a encontrar respostas para problemas antigos. É o caso do paradigma da renovação catequética, aqui no Brasil conhecido como Catequese Renovada ou Catequese Libertadora. Esse paradigma fez conquistas maravilhosas; ajudou a superar aquele modelo doutrinário do catecismo de Trento, quando propôs uma catequese que unisse fé e vida. Mas os tempos mudaram e as conquistas da renovação catequética não podem se tornar agora um obstáculo epistemológico para novas conquistas.

Mas o que é isso: obstáculo epistemológico? Um obstáculo epistemológico é um impedimento do conhecimento, do pensar… Pode acontecer de ficarmos tão felizes com as conquistas anteriores, que nos prendemos a elas. Aí elas nos impedem de pensar novas possibilidades, novos caminhos, pois o conhecimento adquirido se cristaliza, fica engessado e não nos permite mais pensar o novo.

É o caso da pedagogia da aprendizagem que se firmou com a catequese renovada aqui no Brasil, suplantando a pedagogia do ensino – própria dos catecismos. Certamente, essa pedagogia deu sua contribuição quando considerou o catequizando como sujeito de seu próprio conhecimento. Mas, hoje em dia, tal pedagogia já exige ser repensada. Em tempos de pós-cristandade, fala mais ao homem pós-moderno a pedagogia da iniciação, que favorece seu mergulho no mistério pascal. A pedagogia da iniciação se apresenta hoje como a aquela que melhor favorece a transmissão da fé cristã, pois possibilita o encontro do catequizando com Deus. É hora de dar passos nessa direção!


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