Ó mãe preta,
Preta igual aos negros da senzala,
Igual à pele dos torturados,
Roxeada pelos hematomas.
Com quem podem se sentir
Irmanados os sujos mendigos,
Os pobres que se arrastam pela sarjeta
E reviram os lixões,
Os que não se sentem vistos.
Olhai pra estes que são invisíveis,
Perambulai com os pobres nos caminhos
Da indiferença,
Sede companheira dos mendigos,
Sarai as feridas também dos torturados,
E libertai os negros da senzala.
Tocai conosco
O tambor da libertação.
E aos de pele clara,
Que não tem olhos pra senzala
– não é onde estamos todos?-
Que deixem a ilusão de serem
Melhores,
Mais puros…
Ajudai-nos, mãe preta,
a fazer a grande festa da comunhão.
A do teu Filho,
Onde somos todos irmãos.
E tocam as tambores da alegria,
Entoam-se hinos de festa,
Há pão! Pão à revelia,
E o mendigo e torturado curado
Levam junto a mão ao mesmo pedaço.
Há dança, há gozo,
Os corpos se entrelaçam não na luta,
Mas no abraço.
Nesse banquete, os saciados pedem
Perdão
Para quem só restou migalhas.
Os fortes se redimem com os enfraquecidos.
Os violentos beijam os pés de suas vítimas.
Só assim, Mãe Preta, seremos
Seus devotos,
Porque seguidores do teu Filho,
Pobre e torturado.

Amém.


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