Além dos dois desafios já citados – desafio da interioridade e desafio querigmático –, a catequese atual se vê ainda diante de outra grande tarefa: achar uma pedagogia compatível com o anúncio da fé cristã, para viabilizar o anúncio do evangelho, a boa nova de Jesus Cristo. Trata-se do desafio educativo da catequese.

Quando a secularização crescia a passos velozes e muitos apostavam no declínio da fé, foi preciso dar traços antropológicos à catequese. A pedagogia da aprendizagem tornou-se a mais apropriada para comunicar os valores cristãos, pois valorizou a condição do catequizando, colocando o foco na sua realidade (catequese antropológica). Essa pedagogia humanista parecia oportuna para tempos em que a luz da razão ocupava o centro de tudo. Com o apagamento da memória cristã e o descrédito da razão para dar resposta aos anseios mais profundos da humanidade, a pedagogia da aprendizagem também entra em crise. Se, de fato, a catequese deve proporcionar a experiência de Deus em Jesus Cristo, que os contemporâneos ainda não fizeram, a pedagogia da aprendizagem não dá conta dessa tarefa. Sabemos que o encontro com o Ressuscitado ultrapassa todo entendimento, apesar de o pressupor. A catequese querigmática atua, então, mais no campo da acolhida do mistério que no campo da racionalização da fé, apesar de todo esforço para dar suas razões. Na catequese atual, a categoria de mistério se apresenta inegociável; ela é seu cerne, seu cume. A fé cristã não quer eliminar o mistério, pois ela não o entende como um enigma a decifrar, nem uma ilusão a denunciar.

Esse mistério do Deus revelado não se conhece pela capacidade da razão ou por esforço. A pessoa é iniciada nele. O mistério se revela à medida que é acolhido e a pessoa se deixa penetrar por ele. Na humilde atitude de acolhida, o mistério é vivido. Quem o acolhe se envereda por caminhos desconhecidos, cujos significados ganham sentido ao longo do trajeto. O mistério escapa à razão e só se deixa conhecer no íntimo do coração. Ele é o próprio Deus que se dá a conhecer como puro amor em seu filho Jesus Cristo; e essa realidade ultrapassa qualquer explicação que a razão poderia ensaiar, tendo sentido somente para o coração que se inclina diante dele.

Se o desafio da interioridade nos impõe a árdua tarefa de construir nossas referências, pois elas não nos são dadas mais pela sociedade; e o desafio querigmático arranca-nos o costume de apenas burilar a fé, exigindo de nós o anúncio explícito do mistério pascal por meio do testemunho da fé; o desafio educativo nos leva a pensar que os processos do ensino e da aprendizagem não dão mais conta dos anseios do homem atual, que prefere experimentar a fé a explicá-la.


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