Procurar-te por todas as esquinas do tempo,
entre os ponteiros dos segundos e dos minutos…

Escalar as escarpadas colinas de meus dias,
em busca de teus solenes e indispensáveis acenos…

E na iminência de encontrar-te,
quando te vi cavalgando ao meu encontro,
em tua carruagem de fogo e sorrisos,
escondi-me, indeciso, duvidando de te merecer.

Pois, enquanto faço tudo para possuir-te,
esforço-me na mesma proporção, para não te conquistar.

Atraio-te com meus desejos,
para repelir-te com meus assombros.

E, quando somes no horizonte,
viajando para sempre na tua liberdade infinita e misteriosa,
sobra-me apenas a tristeza e a solidão de amar-te,
enquanto não me julgo digno de ti.

E mais uma vez, aos teus sinais,
repito-me ainda mais, evitando-te,
buscando-te, expulsando-te em eterna obsessão.

Navegar nas profundas águas escuras,
a fim de encontrar-me, pois, antes que a ti!

E rompendo os ciclos e giros do mesmo,
permitir tua presença.

Vem, pois, clamo-te.
Aguardo-te na esquina das entrelinhas,
no cruzamento da saudade e da promessa.
Espero-te sem solenidades,
mas decidido a correr ao teu encontro antes que o faças.
E num abraço, descobrir-te tão próximo,
quanto jamais poderia suspeitar em tais buscas…

Vem, pois, amor… Vem, suplico-te!
Perdoa minhas negligências e minha irresponsabilidade
e dá-me tua mão, toca-me com teus dedos, beija-me com teus lábios
e cala de uma vez por todas,
num silêncio profícuo, minhas grandiloquências.


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