Para a implantação da Catequese Permanente, a primeira coisa é envolver toda a paróquia nesse processo. A catequese não é tarefa de uma ou duas pessoas, nem de um grupo de catequistas, mas da Igreja. Nossa Igreja se organiza em paróquias, ou seja, em comunidades eclesiais sob a administração e cuidados pastorais de um presbítero. A catequese não é iniciativa particular de um catequista, mas um ministério que a Igreja confia especialmente a alguns. Estes representam a Igreja diante dos catequizandos. Eles evangelizam em nome da Igreja, como Igreja e com a Igreja. Para que esse trabalho seja feito com eficiência, toda a paróquia precisa ser evangelizadora, ou catequizadora. Ela precisa participar do processo de catequese, apoiando humana e financeiramente, divulgando, acompanhando os trabalhos, incentivando catequizandos, familiares e catequistas etc.

Então, para começar, a primeira coisa importante é mobilizar e informar bem a comunidade eclesial, a começar pelos catequistas, o pároco, os conselhos paroquiais (pastoral e econômico), as lideranças dos grupos, instituições, movimentos, associações etc. Todo mundo precisa conhecer o projeto e dar a ele um crédito. É claro que, quando implantamos algo novo, alguns são mais atirados e entram de cabeça no projeto. Outros são desconfiados e são capazes de apostar que não vai dar certo. Mas, tudo bem: é assim mesmo! O importante é não faltar informação, não excluir ninguém, não manipular o processo, dando abertura para a participação de todos e para o surgimento de questões que podem ser pertinentes no processo.

Comecemos pelo pároco. O pároco é o responsável pela paróquia diante do bispo. Ele precisa não só saber o que os catequistas estão fazendo, mas ele deve estar junto nesse processo de mudança. Se o pároco não se envolver, se não acreditar no projeto, vai ser difícil a Catequese Permanente funcionar bem nessa comunidade eclesial. Ele precisa se envolver, primeiramente, compreendendo as mudanças e apoiando-as. Mas ele deve também: ajudar a esclarecer os pais e os familiares em geral, dar condições financeiras para a implantação do projeto (compra de livros e material didático, divulgação da catequese etc.), respeitar o processo de recepção dos sacramentos conforme planejado com os catequistas, ajudar a formar os catequistas dentro da nova teologia catequética que norteia o trabalho, convidar novos catequistas, incentivar as famílias, desburocratizar o processo de admissão de catequistas e catequizandos; enfim, ser presença ativa na catequese.

Quando o pároco não se envolve no processo catequético, os catequistas começam animados, mas logo encontram atropelo pelo caminho. É como uma água que sai de um reservatório com toda pressão, mas vai se perdendo ao longo do caminho com vazamentos aqui e ali, até chegar um filete de água tão minúsculo no seu destino final que não dá para matar a sede de toda a paróquia. Por exemplo, se os catequistas organizam as turmas sem separar quem vai fazer primeira comunhão de quem não vai e os pais estranham, o pároco deve estar firme nessa decisão juntamente com a coordenação da catequese. Se os catequistas, seguindo os livros da coleção Catequese Permanente, ajudam os catequizandos a compreender certos temas teológicos e certas posturas práticas, o pároco deve chegar junto. Não fica bem catequistas e pároco entrarem em conflito. Se os catequistas eliminam o método de perguntas e respostas da catequese, se fazem um encontro mais animado e se empenham na des-escolarização da catequese, o pároco precisa apoiar. Se ele começar a cobrar que eles têm de dar uma aula de religião e ensinar doutrinas, haverá conflitos. Para harmonizar, os catequistas vão querer por remendo novo em pano velho, ajeitando os encontros para agradar o pároco, incluindo uns temas aqui e ali, dando uma ou outra tarefa para catequizandos e pais etc: não vai dar certo. O rasgão vai ficar maior. Melhor seria manter o método antigo. Pelo menos seria mais coerente e menos conflituoso para catequistas, catequizandos e paroquianos em geral.

Recapitulando. O primeiro passo da implantação do processo é o pároco conhecer o projeto e acreditar nele. Ele não precisa ser o coordenador do processo de mudança e implantação, é claro. Ele pode delegá-lo a outrem, a uma equipe, a uma coordenação paroquial. Mas ele precisa acreditar no projeto que sua paróquia está abraçando, pois esse processo para ser bem sucedido depende dele em muitas decisões. Além do mais, o trabalho da Catequese Permanente vai ter repercussões na paróquia – e tomara que tenha mesmo, pois este é o objetivo, atingir de alguma forma todas as pessoas que participam da paróquia – e o pároco deve responder por essas mudanças. Coragem a todos que empreenderem esse projeto!


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