Maldita prece coral!

Reunir-se na hora marcada, sempre a mesma,

como se os ânimos fossem sempre, todos os dias, os mesmos.

Recitar os mesmos textos,

como se a vida fosse apenas cíclica.

Com olhar de soslaio, procurar os ausentes,

para depois aplicar a devida reprimenda.

Em grave formalidade,

como se o amor se prestasse a mimetismos.

Suportar os raros segundos de silêncio, entre os imensos palavrórios,

com os pés inquietos de ansiedade.

Atrasar ou adiantar os compassos métricos,

como se ninguém além de mim soubesse recitar.

Tudo mais a serviço da inculcação da disciplina

e mais próximo da introjeção da autoridade,

do que da espontaneidade de um diálogo.

E ainda chamar isso de oração…


Próxima poesia:        2. Sol
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