“Bendiga o Senhor a minha alma! Não se esqueça de nenhuma de suas bênçãos!” (Sl 103,2)

 

“Gratidão Senhor,
Pelo dia que termina, pela noite que chega,
pelo descanso que me permite,

pela paz que me concede

e pelas certezas de um novo dia que virá.
Gratidão sempre”

(Cecilia Sfalsin)

 

A gratidão é um dos sentimentos mais nobres da pessoa humana. Coisa bonita é ver como vive alguém que possui um coração agradecido. Tudo na vida se torna mais leve, mais fácil de ser comunicado, quando a gratidão é reconhecida. Uma pessoa grata se deixa tocar por aqueles com quem compartilha o caminho da vida. Aprendeu a render graças em todos os momentos, mesmo naquelas horas em que a dor e o sofrimento invadem o seu coração. Mostra-se atenta à palavra do Senhor que diz “Dai graças ao Senhor porque ele é bom” (Sl 118,1) ou “por tudo dai graças” (1Ts 5,18).

Um coração agradecido não é simplesmente uma forma positiva de observar o mundo. Render graças a Deus, antes de tudo, é uma maneira de viver; um modo de demonstrar total entrega e confiança Naquele que é senhor da vida.

Os santos, irmãos que nos precederam na vivência da fé, descobriram a importância dessa virtude. É o caso do Pobrezinho de Assis que, repleto de gratidão, passou sua vida bendizendo a Deus pelo dom de sua vida e pela existência de todas as criaturas, até mesmo da irmã morte.

Se em tudo e por tudo devemos dar graças a Deus, não podemos fazer diferente em relação àqueles que caminham conosco e nos ajudam a viver, especialmente os irmãos e irmãs que nos revelam o rosto e a presença misericordiosa do Pai. Quem nunca foi erguido por uma mão amiga nos momentos em que estava caído? E aquele vizinho que tantas vezes nos socorreu nas horas de aperto? E quando faltou o sal bem na hora da preparação da refeição? Quem foi que nos socorreu trazendo, através daquele sal, o sabor para o alimento e consequentemente para a vida? E naquele dia em a enfermidade nos debilitou e alguém veio trazer a cura, seja pelo remédio, pela presença ou pelo apoio? A todo momento somos agraciados por aqueles que se fazem presença em nossa vida, compartilhando conosco desde as coisas mais simples e rotineiras até as mais difíceis e exigentes. Não caminhamos sozinhos; necessitamos de corações generosos que nos ajudem a seguir e a prosseguir.

No relato da cura de dez leprosos (Lc 17,17-19), o Mestre de Nazaré, sabendo do valor da gratidão, reclama que só um, um estrangeiro, voltou para agradecer a dádiva da vida reestabelecida. Se a gratidão merece elogios, a ingratidão merece reprimenda. 

O leproso agradecido nos ensina a fazer de nossas palavras e de nossos gestos manifestações de agradecimentos. Sejamos confiantes e, em todas as situações, com o coração em prece, rendamos graças a Deus por tudo e por todos.   


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