Introdução

A catequese aparece no cenário eclesial como assunto controverso. Ela tem sofrido muitas críticas, denominando-a de doutrinação, sacramentalização, politização, ideologização, continuísmo, escolarização da fé, pastoral de manutenção, devocionismo popular. Muitos a consideram “carta fora do baralho”, pois parece não levar em conta as conquistas das ciências humanas, tais como as da antropologia, da sociologia, da pedagogia, nem mesmo considerar os avanços da teologia com suas consequentes mudanças eclesiológicas. A catequese não se emparelha com a reflexão teológica, tão avançada no momento. Um abismo assustador separa estas duas realidades: reflexão e prática catequética. Por meio de breve análise da sociedade atual, aqui chamada de pós-moderna ou pós-cristã, podemos repensar o paradigma catequético ou evangelizador que vigora em nossas comunidades eclesiais.

Esclarecendo conceitos

Muitos gostam de estabelecer uma diferença entre catequese e evangelização. Dizem que evangelização é um processo mais querigmático; seria o primeiro anúncio da fé para pessoas que não foram evangelizadas. Logo, evangelização seria uma tarefa a ser executada em terras de missões, onde as pessoas não são cristãs. Já a catequese seria mais doutrinária e significaria o aprofundamento do primeiro anúncio para quem já foi evangelizado. Assim, a Igreja precisaria primeiro evangelizar para depois catequizar. No entanto, hoje sabemos da impossibilidade real de distinguir essas duas atividades. A catequese e a evangelização podem ser separadas apenas didaticamente, para fins de estudo e esclarecimentos. Na prática, toda evangelização é catequética e toda catequese é, de alguma forma, evangelizadora ou querigmática. Toda evangelização é catequética pois não é possível anunciar Jesus e sua boa-nova a não ser com base na fé que recebemos ao longo da história. Essa fé não é quimicamente pura: não é possível separar Jesus da comunidade de fé que o disseminou; não existe um evangelho quimicamente puro, sem influências da instituição de quem recebemos sua transmissão. Ou melhor, não existe Jesus nem anúncio do seu reino que não sejam já transmitidos na embalagem da doutrina, de uma profissão de fé tematizada – nesse caso, na comunidade católica.

Do mesmo modo, parece impossível uma catequese cristã sem querigma, um curso de aprofundamento doutrinário que possa deixar a tarefa evangelizadora de lado. Ainda que o anúncio seja de um aprofundamento, suas bases estão na experiência primeira da fé, no evento de Jesus Cristo, em sua pessoa, em seu mistério. Logo, os termos evangelização e catequese são sinônimos. Toda catequese cristã não só traz em si algo de evangelização ou de querigma como também, para cumprir de fato seu fim, deve ser querigmática, de modo a aprofundar não um conhecimento, mas uma experiência de Deus. O objetivo tanto da evangelização, no sentido de primeiro anúncio, quanto da catequese, no sentido de aprofundamento da fé, é promover o encontro com o evento Jesus Cristo e mergulhar o catequizando no mistério pascal. Por isso, nesta reflexão, as expressões evangelização e catequese serão tomadas no mesmo sentido. Ambas designam a ação pastoral da Igreja que, por meio do anúncio ou da pregação, visa transmitir a fé cristã, ou seja, comunicar a experiência cristã de Deus.

A crise do sistema catequético

À pergunta “E a catequese, como vai?”, infelizmente, a resposta “Vai bem, obrigado!” não é dada imediata e certeiramente como em outros tempos. Se lançarmos um olhar crítico sobre a catequese católica, poderemos perceber uma crise evidente do sistema catequético – tanto da catequese tradicional doutrinária, cuja base são os catecismos, quanto da catequese que se firmou nos pilares da teologia moderna e nas novas descobertas pedagógicas dos últimos séculos[1]. A verdade é que essa crise se faz visível a todos e ninguém precisa ser especialista no assunto para percebê-la. Perpassa o ambiente eclesial um mal-estar: uma sensação estranha de fracasso, uma impotência incômoda diante dos desafios que se apresentam, uma impressão de que trabalhamos duro demais e obtemos resultados mínimos, quase nulos.

Certamente nem tudo são fracassos e decepções na catequese; há muitos aspectos positivos ainda observáveis. Na maioria das paróquias e dioceses, há uma sede de formação e uma busca crescente de espiritualidade. Percebe-se a valorização da Bíblia nas comunidades e a multiplicação de cursos para aprofundar e partilhar os textos bíblicos. Começa-se a ouvir relatos interessantes sobre a catequese com adultos e amplia-se o conceito de catequese, antes tão estreito e reduzido à formação doutrinal para a recepção dos sacramentos. Nota-se um esforço para que o processo de iniciação cristã não seja de finalização e encerramento da caminhada catequética. Os leigos conquistam espaço e o clericalismo – apesar de persistente – se enfraquece diante das iniciativas do povo fiel. Brilham intensamente esses sinais de esperança, alimentando o ardor de catequetas e catequistas para que continuem sua árdua luta. Não parece razoável desanimar diante da evidente crise constatada, pois nem tudo está perdido. A graça de Deus continua sempre agindo. Mas as conquistas da catequese, embora significativas, não conseguem ofuscar a dolorosa realidade de um sistema em crise, e isso nos impulsiona a buscar sempre o melhor de nós, como colaboradores na obra divina da evangelização.

Crise da transmissão

Apesar de os catequetas entenderem que a crise de transmissão tem contornos que vão além de suas fronteiras e que acontece também em outros setores da sociedade (como na escola, nos clubes esportivos etc.), não deixa de ser preocupante o fato de ela não poupar a catequese. É só prestar um mínimo de atenção para percebermos que não conseguimos mais transmitir, para as novas gerações, a fé que nos sustentou até hoje. Nossos filhos, sobrinhos e netos não receberam mais a fé cristã como um legado que lhes foi deixado pela família. Não é incomum, por exemplo, numa família de tradição cristã católica, encontrar pessoas que professam sua fé com outro formato: são espíritas ou evangélicos; trocaram Jesus de Nazaré por Buda, por Alá, por uma energia vital qualquer que fale a seus corações; não rezam mais ao modo da infância e descobriram novas formas de relação com o transcendente. Sinais visíveis dessa interrupção da transmissão da fé são encontrados também nas comunidades eclesiais. Nossas Igrejas se esvaziaram, apesar do aparente inchaço em algumas ocasiões. Nossos jovens fizeram seu êxodo: foram criar laços de fraternidade em outros espaços, fora da comunidade eclesial. A fé cristã parece não fazer nenhuma falta para eles; ela lhes diz pouco ou quase nada. A vida deles está bem sem a fé; eles não dependem dela para traçar seus rumos, tomar suas decisões, fazer seus projetos. E quanto a nossas crianças? Elas não mais se sentem atraídas a participar como antes, disputando um espaço no altar para serem coroinhas. Ao contrário, a vida eclesial muitas vezes lhes parece um peso. Nós tivemos pouco sucesso na tarefa de lhes transmitir a fé; restou nas igrejas um grupo de pessoas idosas ou de meia-idade, o qual não sustentará nossas comunidades por muito mais tempo.

Essas observações não têm um tom saudosista, de lamentação, como se quiséssemos voltar aos tempos de outrora, quando a família se juntava a rezar o terço no fim da tarde. Já se tornou quimera esse tempo, que não volta mais. O objetivo aqui é mostrar o esgotamento, o desgaste das formas tradicionais da transmissão catequética. A fé cristã é pouco relevante às jovens gerações. Os métodos, ritmos, conteúdos e itinerários já conhecidos da catequese não se mostram eficazes para responder aos anseios atuais. E o problema fica ainda maior quando percebemos que a crise da catequese não é uma crise dos meios de transmissão, uma vez que o século XX foi muito frutuoso nos descobrimentos psicopedagógicos. Não se trata de melhorar a didática dos encontros, de aprimorar a linguagem, de usar a tecnologia e os meios disponíveis hoje. O problema é bem maior; a crise se assenta sobre um questionamento acerca do que é transmitido. Parece que o que está sendo transmitido perdeu sua importância para o mundo contemporâneo. E isso é preocupante.

Fracasso do processo tradicional de iniciação cristã

Desde o pontificado de Pio X, a Igreja tem investido esforços na catequese como preparação para a primeira comunhão de crianças. Pensava-se que, uma vez recebida a fé no seio da família que garantia o batismo a seus filhos, a catequese deveria completar o processo de iniciação cristã, dando-lhe acabamento. Por essa ocasião, batismo e crisma eram ministrados à criança recém-nascida – ou ainda bem jovem – e a recepção da eucaristia significava que o processo de iniciação cristã tinha sido concluído.

Os tempos mudaram, mas a catequese, não. Hoje, os próprios pais – fora raras exceções – não são evangelizados e não têm condições de comunicar a experiência da fé cristã a seus filhos. E se a fé não mais flui naturalmente na família, a catequese não pode mais se dar ao luxo de acompanhar ou burilar uma fé que não existe, visando ao acabamento do processo iniciático. Ela deve despertar a fé e irradiá-la. Deve fazer todo o processo de iniciação, a começar pela árdua tarefa de despertar o desejo de professar a fé. A Igreja tem essa consciência há tempos, e ultimamente tais questões têm sido levantadas por inúmeros teólogos e expressas em incontáveis documentos eclesiásticos, no mundo inteiro.

Percebe-se, porém, que o sistema catequético atual não foi pensado para isso. A Igreja se encontra em situação missionária, mas sua catequese foi pensada para uma sociedade cristã. O sistema catequético foi elaborado para “nutrir a fé”, e não para “propor a fé”. Disso resulta um descompasso perigoso. Percebemos uma defasagem entre a iniciação cristã oferecida pelo processo catequético e a iniciação cristã de que o homem atual precisa. Como fazer um paciente e elaborado trabalho evangelizador para que os catequizandos se interessem pelo evangelho e respondam pessoalmente ao apelo do Deus de Jesus Cristo que lhes fala?

Essa tarefa não é fácil. São séculos de um trabalho catequético realizado em um ritmo que não agrada nem funciona mais, e mexer nessa “música” certamente exigirá muito traquejo para que não se perca o passo da dança. Um dos problemas surge logo quando se toma o conceito de iniciação. O processo iniciático foi pensado para pessoas não batizadas que desejam receber a fé por meio do batismo. Hoje, estamos cônscios de que são inúmeros os batizados sem iniciação, apesar de já terem recebido o sacramento da fé cristã. Tal conceito precisa ser revisto e ampliado.

Tal como vem sendo realizado, o processo catequético de iniciação tornou-se um processo de conclusão da vida cristã. A catequese de iniciação na realidade não inicia, mas paradoxalmente conclui o processo iniciático. Nos dizeres de Henri Derroite (2008, p. 357): “O processo de iniciação cristã tornou-se processo de conclusão para muitos porque ele fecha o período de prática religiosa de muitos jovens”. O sacramento da crisma ministrado aos jovens, com pesar, passou a ser conhecido como “sacramento do adeus”, “o último dos sacramentos” ou “a extrema unção dos jovens”. E, pior, mais recentemente ele cedeu lugar à eucaristia ministrada aos pré-adolescentes. Para alguns, nem a crisma acontece; a iniciação fica interrompida na pré-adolescência, com a primeira comunhão. Uma vez recebido o sacramento almejado, a criança ou o jovem não participa mais da Igreja, e muitos deles sequer aderem à fé crista. A evasão é frequente. O engajamento, ou seja, a pertença à Igreja depois da recepção da primeira eucaristia é mínima.

Precariedade da catequese com adultos

Apesar de todos os avanços já conquistados e registrados, permanece precária e descuidada a catequese com adultos. A Igreja se encontra especialmente ausente no mundo da juventude e tem problemas para inserir os jovens nas comunidades. Podemos pensar na Jornada Mundial da Juventude: milhões de jovens se reuniram em torno da figura simpática e carismática do papa Francisco, mas, ao voltar para suas comunidades, sentiram-se de novo deslocados, como se ali não fosse o lugar deles[2]. A verdade é que a catequese com jovens e adultos avança com muita dificuldade, apesar de tanto o Diretório Geral para a Catequese quanto o Diretório Nacional da Catequese insistirem na importância e na prioridade da catequese com adultos.

É desconcertante admitir que a catequese não sabe catequizar adultos; ela foi totalmente pensada para a infância. A constatação de peritos no assunto causa preocupação: “Em relação ao processo de iniciação à fé dos adultos, ao catecumenato em seu sentido mais verdadeiro, creio que estamos em situação de inexpertos” (MARTÍNEZ ÁLVAREZ, 2004, p. 133).

Vinculada a esse problema se encontra a caducidade da linguagem religiosa. A comunidade eclesial parece apta, no máximo, a oferecer uma linguagem que convença a quem já está convencido. Não são poucos os que reclamam que a linguagem religiosa não comunica mais, que a catequese responde a perguntas que ninguém fez e pelas quais ninguém tem interesse. Utilizando uma linguagem inacessível, a catequese tradicional não comunica a fé. Emilio Alberich, dando voz ao povo, atreve-se a dizer que o que a Igreja oferece ao catequizando está bem distante do que interessa a este. Segundo o catequeta espanhol, a reclamação é frequente: a catequese “utiliza linguagens que ninguém entende, se dirige a auditórios que já não existem e responde a questões pelas quais ninguém se interessa” (ALBERICH, 2005, p. 24).

O mundo pós-cristão

Mas de onde vem toda essa crise do processo catequético? Por que não conseguimos mais transmitir às novas gerações a fé que recebemos e que nos faz viver? Isso acontece porque o mundo mudou, as pessoas mudaram, os modos de entender a vida e de se posicionar diante dela também mudaram. Aquela sociedade fundada em bases cristãs ficou para trás; aquele ser humano temente a Deus – da cristandade – e aquela pessoa com projetos humanistas e princípios – da Modernidade – desapareceram do cenário social. E nós continuamos a fazer catequese, a transmitir a fé, sem levar essa importante mudança em consideração. Anunciamos o evangelho como se o mundo e as pessoas ainda fossem os mesmos de antes. No entanto, aconteceram mudanças nos âmbitos social e antropológico que não devem ser ignoradas, a não ser ao preço de deixar a boa-nova de Jesus cair no descaso. Vejamos um pouco essas mudanças.

Mudança social

A primeira mudança importante a ser levada em consideração é a mudança social. Passamos do regime de cristandade à modernidade e, mais recentemente, da modernidade à pós-modernidade. Com a cristandade, deixamos para trás a sociedade tradicional; e com o declínio da modernidade, enfraqueceu-se a sociedade evolutiva e entrou em cena uma sociedade complexa, plural, multirreferencial, própria dos tempos pós-modernos.

Sociedade tradicional

A sociedade do tipo tradicional é marcada pela entrega de um estilo de vida, um estilo cultural delineado por um ethos – que abarca os modos de sentir, pensar, crer, aspirar e agir de seus membros –, por meio de um contato fecundo e forte com as gerações que se sucedem. Essa sociedade se alicerça sobre uma sólida cultura, o chão que permite às pessoas viverem juntas, estarem juntas no mundo. Ela constrói um pequeno mundo onde os indivíduos vivem “em um consenso de símbolos, de atitudes e de valores que traduz a relação dos homens com a natureza, com os outros e com Deus” (CUENOT; VILLEPELET, 1989, p. 19).

Nessa sociedade, a tradição – transmitida especialmente pela família – apresenta-se como um elo ininterrupto que garante a ligação do grupo, sua coesão, sua unidade. Ela se torna condição sine qua non de vivificação, de participação, de pertença a uma realidade. Dessa tradição, cada indivíduo frui indefinidamente força e vida sem jamais esgotá-la. Ao contrário, quanto mais ele experimenta essa realidade e a transmite, quanto mais ele a guarda, mais ela se multiplica e se torna plena. Não se trata de repassar somente, ou primeiramente, um corpo de doutrinas, de dogmas, de conhecimentos e de costumes, apesar de a tradição ser um patrimônio herdado do passado, um conjunto de conhecimentos e de acontecimentos vividos pelas gerações precedentes. A preocupação dessa sociedade é transmitir um “estilo de vida inesgotável e fecundo” (VILLEPELET, 2009b, p. 364), um mundo de significações que garante a unidade, a continuidade e a fecundidade da experiência vivida. A tradição perpetua bem mais que um patrimônio morto. Ela exige mais do que simples transmissão de saberes e ganha vulto com o grupo, tornando-se fonte generosa e profícua que torna a vida possível.

Ao receber a tradição, “aquele que aprende aceita aprender para viver no seio desse grupo de pertença, mas também o faz porque ele a transmitirá às gerações que virão a seguir” (VILLEPELET, 2001, p. 29-30), afinal, sabe que progressivamente ele próprio vai se retirar desse futuro social. Nesse tipo de sociedade, a tradição é assumida como um princípio ordenador (arche) bem anterior à geração que o acolhe, como algo que tece a vida presente e define seu sentido (telos), rumo a um futuro sem interrupções (eschaton). Ela é um tesouro cultural, uma matéria viva, reveladora de sentido, que tece as tramas da vida, pois amarra num fio inconsútil o que as gerações passadas viveram e o que as gerações atuais recebem e ressignificam no ato de transmissão sucessiva às descendências futuras. Poderíamos dizer que, como numa corrida de revezamento, o corredor aguarda na reta final de seu percurso o bastão transmitido de mão em mão a outros atletas. O que ele entregará a seu companheiro de equipe não é outro bastão senão o mesmo que lhe foi entregue, carregado de significados e emoções, uma vez que traz consigo a história de tantos outros que o fizeram chegar até aquele ponto. Uma sociedade do tipo tradicional, como a cristandade, favorece a transmissão da fé cristã, cujas bases são as memórias do evento Cristo.

Sociedade evolutiva

A sociedade moderna e evolucionária constrói-se sobre uma nova forma de ver a história: nada está garantido pela tradição recebida do passado, nada é fatal ou está decidido para o futuro. Como afirma um catequeta francês, na modernidade “o futuro é o tempo de coisas a fazer” (VILLEPELET, 2009b, p. 374). Por isso, o trabalho humano recebe as glórias de seu esforço e passa a ser compreendido como atividade que pode mudar o curso das coisas, criando uma dinâmica evolucionária assentada sobre a criação humana, ou seja, sobre as potencialidades da razão.

Por conta da crença no trabalho e no progresso, que se sustentam no deslumbramento das possibilidades da razão, na modernidade não se acredita que a história tenha um fim apocalíptico. Surge o mito do homem construtor: o homem moderno nutre esperanças escatológicas de um mundo melhor, que ele pode e deve construir. A modernidade alimenta a ideologia do progresso, da mudança e da construção. Acredita-se em um progresso sem fronteiras e sonha-se um sonho bom: um futuro promissor, uma sociedade emancipada de toda tutela externa à razão humana, com um ser humano livre e capaz de sanar suas aporias. O ser humano experimenta o presente como irrupção de mil possibilidades e vislumbra o futuro como iminência de soluções para todos os problemas. A história é tomada na sua totalidade, em referência a um telos que lhe confere significação e direção. “A origem transcendente da tradição torna-se fim imanente da modernidade. Ao encantamento nostálgico das origens, segue-se a exaltação pelo acabamento final, devendo ele ser indefinidamente adiado” (VILLEPELET, 2009b, p. 376). Todos os cidadãos são responsáveis diante da indeterminação do futuro e todos têm a obrigação de o determinar para sobreviver. Por isso, a modernidade busca constituir uma sociedade alicerçada sobre um poder legítimo, que não cesse de trabalhar pelo bem comum.

A modernidade, com sua sociedade evolutiva, não favorece a transmissão da fé como a sociedade tradicional. Mas a fé cristã, alimentada pela utopia do reino de Deus, encontra terreno favorável nessa sociedade. Se a fé cristã não é transmitida como um valor que a tradição do passado conserva, ela encontra seu elo transmissor na esperança futura, na crença de que um reino futuro, uma terra sem males, pode ser conquistado.

Sociedade complexa

Ao lançar um olhar criterioso sobre a pós-modernidade, notamos logo sua multirreferencialidade. Não se impõe a ela sem motivo o título de “sociedade complexa”. Bem diferente da sociedade moderna, evolucionária, a sociedade pós-moderna subverte a lógica das coisas. Ela é multirreferencial, como um mosaico de pequenos e grandes cacos que, na multiplicidade de sua desorganização, apresenta um sentido fora da lógica cartesiana moderna, das ideias claras e distintas. A sociedade atual reage à razão instrumental positiva da modernidade e abre espaço para a razão do coração – que a própria razão desconhece –, admitindo possibilidades antes impensadas. Uma multiplicidade de significados conquista espaço, e, ainda que sejam contraditórios e opostos – segundo a razão –, esses significados não se excluem, devido às escolhas do coração. Essa multirreferencialidade coloca todos os homens em situações novas, desconhecidas, antes inimagináveis, comparáveis àquela do antropólogo que desbrava novos terrenos e tenta assimilar a gramática existencial de um povo do qual não tem nenhuma referência. Sobe-se uma montanha desconhecida, jamais escalada, e nesse percurso perigoso a certeza única é a de não ter certezas, nem seguranças, nem garantias, nem ponto de apoio para os pés. Não se sabe sequer se a escalada terá sucesso ou se as avalanches da vida derrubarão os alpinistas no trajeto. Sabe-se, porém, que no topo da montanha algo novo será vislumbrado; uma paisagem antes não fotografada estará bem diante dos olhos dos desbravadores.

Uma terra incógnita se apresenta. Temos a impressão de que vivemos na noite escura, andando às apalpadelas, sem saber se um precipício irrompe logo a nossa frente. Os referenciais de julgamento foram perdidos no caminho. Os instrumentos de medição dos quais lançávamos mão para discernir a vida se tornaram obsoletos; a capacidade real de mensurar os fatos e eventos ofuscou-se no emaranhando de novos valores e na perda dos anteriores. “Os sistemas de análise, as bússolas e os mapas habituais não chegam efetivamente a dar conta do que se passa” (VILLEPELET, 2005, p. 138). Um perfil inédito do ser humano se delineia; mais que uma época de mudanças, o homem atual assiste a uma mudança de época (cf. AMADO, 2008), pois se efetua uma transformação das “formas de ser, de pensar e de agir, de amar e de trabalhar, de representar e de se emocionar de nossos contemporâneos. A gramática da existência, que estrutura simbolicamente nosso estar no mundo e com os outros, está se transformando completamente” (VILLEPELET, 2005, p. 138).

Uma das mudanças mais notáveis se encontra na relação do homem contemporâneo com o tempo e o espaço: já não vivemos nem sentimos o tempo como antes. Hoje tudo anda depressa demais, é impossível dar tempo ao tempo. No Brasil, deu voz ao pensamento do homem pós-moderno o cantor Cazuza: “O tempo não para, não para!”. A prioridade número um do homem pós-moderno tornou-se gerir a urgência. Todos correm de um lado a outro tentando dar conta de uma infinidade de tarefas que necessitam de tempo: tempo obrigatório para o trabalho, tempo para a formação profissional, tempo livre para o lazer e o estreitamento de laços, tempo para a vida engajada na política, tempo desejado para a vida íntima… Um equilíbrio difícil, quase uma arte, que exige lucidez para discernir e responsabilidade para decidir. Exauridos por tantos compromissos urgentes, não temos mais tempo para elaborar memória do passado nem para refletir sobre a construção do futuro. Queremos ser felizes no presente; sentimo-nos, como dizia o poeta Raul de Leoni, que a vida nos escapa “efêmera e vazia” (LEONI, 1959, p. 68).

A agonia de ver o tempo passar sem viver intensamente nos transtorna. O presente nos consome todas as energias, tornando-se o tempo dominante. Como falou poeticamente Adélia Prado, “não tenho mais tempo algum, ser feliz me consome” (PRADO, 1987, p. 77). O desejo de ser feliz, de fruir a vida e, da vida, tudo o que ela pode oferecer, consome nossas energias. Tudo fica então reduzido à atualidade: “Somente o presente conta verdadeiramente” (VILLEPELET, 2009a, p. 56-64).

Sabemos, no entanto, que “quanto mais o ser humano puder projetar-se no futuro e apoiar-se sobre sua memória viva, mais seu presente terá consistência e poderá marcar um momento importante” (VILLEPELET, 2003, p. 17). Mas, nessa sociedade onde tudo corre tão ligeiro, o passado cai no esquecimento e o futuro torna-se imprevisível. Sem a síntese entre passado e futuro, sentimo-nos à deriva na história, ao sabor dos ventos impiedosos do tempo presente, sem o auxílio de uma bússola confiável.

Sofre mutação, entretanto, não só a relação com o tempo; nossa relação com o espaço também já não pode ser descrita como antes. As pequenas aldeias e vilas do passado, com espaços vazios e difíceis de serem transpostos, cederam espaço para aglomerações de cidades, que se intercomunicam formando teias entrelaçadas. Nós nos movemos de um lugar a outro sem grande sacrifício; tudo ficou perto. A mobilidade cresceu vertiginosamente por causa das autovias, do tráfego aéreo, das ferrovias, de trens e metrôs que serpenteiam os subterrâneos da terra e até do mar, interligando cidades, países, continentes. Ninguém está mais condenado à imobilidade no mundo real, muito menos no mundo virtual. “Experimentamos a proximidade em escala mundial através da imensa teia comunicacional tecida pelos meios midiáticos” (VILLEPELET, 2003, p. 19). Uma proximidade comunicacional e imaterial, que anula distâncias e gera onipresença virtual. Descortina-se imperiosa a possibilidade de se estar em todo lugar ao mesmo tempo. Mas a onipresença virtual paga seu preço, pois ao se estar em toda parte não se está em lugar nenhum. O espaço foi desmaterializado e agora, como um andarilho errante, o ser humano pós-moderno vagueia por labirintos sem achar o fio de Ariadne. Sua morada não é mais um domicílio definido; resta-lhe apenas o próprio corpo como “última morada possível” (VILLEPELET, 2003, p. 19). Talvez por isso o corpo seja tão cultuado neste tempo e tão cuidadosamente preservado. É o corpo a casa na qual habitamos e encontramos a possibilidade de ser um com os outros, de entrarmos em relação, de fazermos comunhão.

Ruiu a sociedade tradicional e está em ruínas a sociedade evolutiva. Impõe-se com vigor uma sociedade do tipo complexa, que valoriza o novo, o tempo presente. Nesse tipo de sociedade, a transmissão da fé não acontece automaticamente. As bases do passado não a sustentam; as esperanças do futuro não a animam. Só o evangelho, anunciado como força para se viver, pode ser elemento que ainda justifique a transmissão da fé cristã. Somente se essa fé for entendida e assumida em sua gratuidade e em sua preciosidade, ela poderá garantir sua continuidade, sua transmissão às novas gerações.

Mudança antropológica

Se, no campo social, passamos de uma sociedade tradicional a uma sociedade evolutiva e, em seguida, de uma sociedade evolutiva a uma sociedade complexa, no campo antropológico passamos do “indivíduo parceiro” ao “indivíduo ator social” e, logo em seguida, do ator social ao “indivíduo sujeito”.

Indivíduo parceiro

Na sociedade tradicional, o indivíduo é um parceiro institucional. Não há, pois, o desejo de transgredir a ordem, de mudar os papéis, de ultrapassar as delimitações impostas, porque é a diferença desses papéis que une os indivíduos. Cada pessoa não existe nem se compreende sem a ordem do corpo ao qual pertence. Sua singularidade acontece por meio de sua participação e de sua pertença social; o laço socioinstitucional nutre seu sentimento de pertença. O indivíduo obtém de sua participação na sociedade aquilo de que necessita para se posicionar em sua singularidade. Ele se define como sujeito por meio da troca simbólica efetuada no grupo. A identidade do grupo obriga seus membros a dar conta de sua própria particularidade no todo e promove-os a definir e desempenhar bem seu papel. “A sociedade se impõe aos indivíduos que a compõem e o indivíduo tira sua identidade de sua pertença do todo. Cada um sabe o que é em função de seu lugar na sociedade ou na instituição” (VILLEPELET, 2009b, p. 330).

Um indivíduo do tipo parceiro institucional compromete-se com a transmissão da fé, uma vez que sua identidade provém da fé da Igreja. Seu modo de pensar o mundo, as pessoas e as coisas está diretamente relacionado à fé que ele recebeu e deve transmitir; é dela que vem sua identidade.

Indivíduo ator social

O homem moderno é um ator social, responsável pelo futuro; sua ação desencadeia reações na história. Ele se entende como um agente sociotransformador: “entra numa práxis histórica e participa de uma dinâmica social que detém as chaves da construção do futuro” (VILLEPELET, 2009b, p. 331). Esse é seu sonho; essa é sua realização. E quanto mais esse sujeito se sente socialmente útil, tanto mais ele desempenha bem seu papel social. Esse papel social exercido indica a contribuição específica que ele dá ao organismo com as funções que assume. A atuação no corpo social é traduzida pelo sentimento de pertença a um grupo profissional, uma corporação, um sindicato, um partido… O laço socioinstitucional nutre o sentimento de pertença. Esse grupo é o lugar privilegiado da identificação. O moderno encontra a si mesmo na exterioridade de si, no mundo profissional que o abraça e no reconhecimento social que essa função lhe confere.

Um indivíduo do tipo ator social também se compromete com a transmissão da fé. Não pelos mesmos motivos do indivíduo parceiro institucional, mas porque sua identidade vem da tarefa que ele desempenha. Uma vez engajado na Igreja e identificado com ela, ele nutre um sentimento de pertença que o move, que o anima a continuar anunciando aquilo em que crê.

Indivíduo sujeito

O ser humano contemporâneo não se experimenta mais como agente social ou parceiro institucional, mas primeiramente como sujeito dotado de autonomia. Essa mudança de foco do social para o subjetivo coloca a sociedade pós-moderna sob a égide dos indivíduos. O indivíduo atual quer, antes, ser um agente livre de tudo, para poder dispor, absolutamente soberano, de seu tempo. Essa liberdade imprime suas marcas no dia a dia. Quanto menos constrangimentos, melhor; a vida cotidiana navega na onda da descontração. Longe dos compromissos sociotransformadores do moderno, de suas utopias humanísticas, nossos contemporâneos querem viver a vida sem amarras: sem grandes utopias, sem compromissos gigantescos, sem sonhos de um mundo paradisíaco. As ideologias sociais do universo foram desmascaradas[3], e o desejo de um mundo melhor foi transportado para mundos bem menores: o da vida privada e o da subjetividade. A utopia social perdeu sua força; o homem contemporâneo não tem mais sonhos tão faraônicos quanto o homem moderno. Seus projetos são mais modestos e dizem respeito – normalmente – a sua vida pessoal, sua realização, sua família, sua carreira; tudo que abarca a pequena narrativa de sua vida. As mega utopias não encantam mais. Pensa-se: “Se for possível viver bem, já terá sido grande lucro essa vida!”. Os grandes sonhos sociais foram transferidos para a esfera subjetiva. Sonha-se com o bem-estar, procura-se viver de forma sábia: “Construir uma vida com significado já é tarefa bastante árdua”, pensa o homem pós-moderno.

Nem indivíduo parceiro, nem indivíduo ator social: hoje temos um indivíduo sujeito em busca de si mesmo, de sua identidade. Esse indivíduo, preocupado com a construção de sua própria subjetividade, a princípio parece não favorecer a transmissão da fé crista. Mas o que é a fé cristã se não a resposta pessoal, consciente e livre ao apelo de Deus? Não seria ela promotora de subjetivação? A construção de uma interioridade confiável não promoveria também a personalização da fé? Numa sociedade onde a fé cristã só pode ser acolhida pela força do evangelho que ela propõe, ou seja, uma sociedade na qual a fé cristã está na dinâmica da proposição e não da herança, a construção da interioridade e a personalização da fé são tarefas imperiosas.

Conclusão

Se a sociedade e o indivíduo sofrem mudanças, consequentemente é mudada a catequese[4]. O ato catequético pensado sob os moldes da sociedade tradicional, cujo destinatário era um indivíduo parceiro da instituição que cooperava em tudo para a transmissão da fé e a manutenção da religião na qual fora inserido, não encontra mais ressonância em nossa sociedade complexa, onde a liberdade religiosa e o pluralismo são valores maiores que a própria fé e a religião. O paradigma catequético, com bases assentadas no Concílio de Trento e produzido por meio da doutrinação, não diz mais nada à nossa sociedade e ao sujeito pós-moderno, cuja gramática existencial se distanciou das tradições do passado. Nem mesmo a catequese suscitada pelos anseios da razão moderna dá conta do momento presente. Apesar de continuar sendo imprescindível fornecer as razões da fé, não basta ao ato catequético cumprir essa função. A sociedade moderna, com seus anseios de tudo explicar, analisar e criticar, cedeu espaço para um novo tempo, no qual se tornou mais importante experimentar, degustar, sentir, vivenciar… O homem moderno que construía seu saber e, com ele, a sociedade e o mundo em geral, tornou-se quimera. A força operante do ator social, do agente sociotransformador, do construtor do conhecimento e de todas as coisas, arrefeceu. Na sociedade complexa e plural, mais urgente se tornou construir a própria identidade do que construir o mundo.

Assim, o ato catequético não mais se estabelece nem sobre as bases da sociedade tradicional, cuja cultura orientadora provinha da fé cristã, nem sobre as da sociedade moderna, cujos valores cristãos se mantinham apesar da secularização em vistas do bem comum. A catequese de hoje precisa ser construída sobre a roda viva e complexa de uma sociedade multirreferencial, da qual o cristianismo foi exculturado[5]. A fé cristã não orienta mais a sociedade; ela é apenas uma das ofertas possíveis em meio à infinidade de ofertas disponíveis. Neste mundo pós-cristão – onde a orientação cristã caiu no esquecimento –, manter uma atitude de saudosismo e de lamentação[6], como se o passado fosse melhor que o presente, não resolve o problema pastoral; ao contrário, reforça-o. Lamentar o leite derramado nunca resolveu os problemas da Igreja. É hora de arregaçar as mangas e anunciar o evangelho com destemor e humildade, hora de enfrentar sem medo ou nostalgia, mas também sem preconceitos ou enfrentamentos, a mudança de época que se impôs. Se a fé cristã é, de fato, pertinente e valiosa – nisso nós acreditamos, por isso continuamos professando-a e anunciando-a –, então é hora de acolher o mundo tal como ele é e, com empatia, anunciar-lhe o evangelho. É hora de ver com bons olhos esse novo sujeito eclesial a quem queremos apresentar o Cristo Ressuscitado. Acusá-lo de edonista, individualista, narcisista e todos os “istas” possíveis só vai aumentar nossos problemas. O evangelho cabe em qualquer cultura, em qualquer tempo, e é dirigido a todos, homens e mulheres, sem exceção. O indivíduo que está diante de nossos olhos – esse homem à procura de si mesmo e de sua identidade – tem sede de Deus e permanece apto a acolher a boa-nova de Jesus, como os homens e as mulheres de outros tempos. Basta não ter medo de repensar o ato catequético e ter coragem de redescobrir o evangelho como força para viver. Basta não se apoiar em privilégios adquiridos nem em formulações teológicas de outros tempos. Basta testemunhar com graciosidade a gratuidade da fé que nos foi transmitida. É preciso ter coragem de assumir que nossos paradigmas catequéticos não correspondem mais às necessidades de nosso tempo e arriscar-se em novos paradigmas, mesmo que desconhecidos.

Referências

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AMADO, J. P. Mudança de época e conversão pastoral: uma leitura das conclusões de Aparecida. Atualidade Teológica, v. 12, n. 30, p. 301-317, 2008.

CONFERÉNCE DES ÉVÊQUES DE FRANCE. Proposer la foi dans la societé actualle: lettre aux catholiques de France. Paris: Cerf, 1996.

CUENOT, M-H; VILLEPELET, D. Emmagasiner des informations et rentrer dans une culture. Catéchèse, n. 114, p. 17-25, 1989.

DERROITE, H. Réinventer la catéchèse dans un monde en mouvement. Lumen Vitae, v. 63, n. 3, p. 339-363, 2008.

GONZÁLEZ FAUS, J. I. Desafio da pós-modernidade. São Paulo: Paulinas, 1996.

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LEONI, Raul. Luz mediterânea. São Paulo: Martins fontes, 1959.

MARTÍNEZ ÁLVAREZ, D. et al. Mesa redonda. Catequética, v. 45, n. 3, p. 130-154, 2004.

PRADO, Adélia. O pelicano. Rio de Janeiro: ed. Guanabara, 1987.

VILLEPELET, D. Crise de la transmission et proposition de la foi en France. In: MULLER, H. A. M.; VILLEPELET, D. (Org.). Risquer la foi dans nos sociétés: Églises d’Amerique latine et d’Europe en dialogue. Paris: Karthala, 2005. p. 137-145.

VILLEPELET, D. L’avenir de la catéchèse. Paris: L’atelier; Ouvrières, 2003.

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VILLEPELET, D. Propos sur les paradigmes catéchètiques. Catéchèse, n. 165, p. 21-44, 2001.

[1] No Brasil, conhecida como catequese renovada.

[2] Sobre a Jornada Mundial da Juventude e a continuidade da evangelização dos jovens, confira meus textos no site da Editora Paulus: <http://www.paulus.com.br/portal/colunista/solange-maria>.

[3] Para Gonzáles Faus (1996, p. 14-15), “a pós-modernidade é simplesmente a tentativa de tirar da realidade as suas ‘divinas palavras’, seus ‘nomes de rosa’, encarando o homem com a ‘insustentável leveza’ do real”. E ainda: “a pós-modernidade não foi somente a destruição de um mito (o mito moderno da revolução), mas a destruição de todos os mitos. Na ‘divina’ palavra da revolução não havia somente um erro de cálculo histórico, que deixava intactas outras grandes palavras, mas um erro metafísico de visão da vida: nesta vida não cabe nenhuma palavra grande e, por isso, a pós-modernidade se desloca de maneira incômoda tanto para a esquerda como para a direita e faz com que nos seja difícil julgá-la ou que a julguemos apenas parcialmente, a partir de nossas posturas prévias mais revolucionárias ou mais conservadoras” (GONZÁLES FAUS, 1996, p. 17, grifos do autor).

[4] Fala-se hoje muito mais em “mudança de época” do que em “época de mudança” (cf. AMADO, 2008).

[5] O conceito de exculturação foi forjado pela socióloga da religião francesa Danielle Hervieu-Léger (2003), em sua obra Catholicisme, la fin d’un monde.

[6] Corajosa é a atitude dos bispos da França, tomada na carta dirigida aos católicos franceses, que adverte sobre os perigos do saudosismo e da melancolia, como se os tempos passados fossem mais dignos do evangelho que o tempo atual (cf. CONFERÉNCE DES ÉVÊQUES DE FRANCE, 1996).


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