Hoje Deus veio me visitar.

Chegou pelas minhas costas,

de mansinho,

pisando na pontinha dos pés,

quis fazer surpresa.

Puxou em minha orelha,

segurou os meus braços,

ameaçou um cascudo e,

com sorriso e coração largos,

falou: “que saudade de você, menino”.

O meu Deus é assim:

fala com sotaque para me deixar mais próximo,

usa chapéu de palha para se parecer comigo,

tem cabelos brancos e mãos calejadas para me dizer que a vida não é fácil,

o seu rosto está todo esculpido pelo tempo

e os seus olhos são carregados de esperança,

brilham como o sol e me convidam à eternidade.

Assim, vamos nos assemelhando.

Eu e Deus, Deus e eu.

Humano e divino, divino e humano.


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