A tarefa mais urgente da catequese hoje é promover o encontro com Jesus Cristo, favorecer ocasião para que o catequizando faça sua experiência cristã de Deus. Ora, tal experiência não acontece desde fora, mas desde dentro: lá no íntimo do coração onde Deus habita. Nosso Deus é um Deus que fala ao coração; que se manifesta na interioridade, no escondido da consciência. Eis o mistério cristão: um Deus gigante, transcendente, maior que tudo e todos, faz morada em nosso íntimo e se revela no escondimento de nosso interior, e o faz de forma discreta, singela, quase imperceptível.

Esse mistério do Deus revelado não é inacessível aos catequizandos, mas também não é evidente à primeira vista. É preciso ser iniciado no mistério para se deixar penetrar por ele. O mistério não se conhece pela capacidade da razão ou por esforço, por méritos morais ou aprofundamentos doutrinários. A pessoa é iniciada no mistério, mergulhada nele. Ele se revela à medida que é acolhido e que a pessoa se deixa contagiar, se deixa ser seduzida por ele. Na humilde atitude de acolhida, o mistério é vivido. Quem o acolhe se envereda por caminhos desconhecidos, cujos significados ganham sentido ao longo do trajeto. O mistério transcende o indivíduo; ele escapa à razão e só se deixa conhecer na interioridade de cada um. Certamente, ele fala mais ao coração que à razão, pois é o próprio Deus que se dá a conhecer como puro amor em seu filho Jesus Cristo; e essa realidade ultrapassa qualquer explicação que a razão poderia ensaiar, tendo sentido somente para o coração que se inclina diante dele. É preciso ser iniciado no mistério para acolhê-lo.

Quando falamos em iniciação, pensamos em mergulho num banho de significações que a pessoa não pode inventar nem descobrir por si mesma. Quando experimenta esse mergulho no mistério, o iniciado decide se quer esse estilo de vida para si ou não. Ele experimenta a fé, saboreia a presença de Deus na qual a comunidade vive mergulhada, nutre-se do alimento da Palavra que é o pão cotidiano da comunidade crente. As explicações, as formulações necessárias que tentam dar as razões da fé, não ficam esquecidas, mas o mergulho no mistério as precede. Os preceitos, os contratos, as obrigações não foram eliminados, mas tornam-se consequência do estilo de vida abraçado.

Nesse processo, percebe-se que é mais importante sentir e experimentar que conhecer e refletir. Não que o conhecimento ou a reflexão não sejam necessários, mas ganha valor incomensurável a conhecida expressão de Santo Agostinho que, ao fazer sua experiência de fé, exclamou: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora” (Conf. X, 27, 38). É preciso se deixar amar por Deus e também amá-lo. É preciso se deixar conhecer e, em reposta, buscar conhecê-lo. Mas conhece-se a Deus sentindo e experimentando sua presença amorosa e não especulando doutrinas e desvendando dogmas. O encontro com Deus acontece no sacrário da interioridade, por meio da acolhida da presença de Deus que se oferece a nós como dom e não por meio de elaborações esclarecidas acerca da fé, apesar de essas serem também necessárias.

Sobre esse encontro com Deus que se dá na interioridade, falaremos mais nos próximos artigos.


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