Carlitos era um grande cantor e seus fãs o adoravam. Durante toda sua vida só soube cantar e alegrar os corações com suas belas canções. Ainda em plena juventude, Carlitos contraiu o vírus do HIV e depois disto tudo mudou. Na efervescência de sua juventude, não pensou nas consequências de suas escolhas, achou-se imbatível e nunca pensou que poderia adoecer. Mas adoeceu e não era qualquer doença.

Durante algum tempo, ele ainda teve forças para cantar, fazer shows etc. Naquele tempo, a aids era uma doença ainda muito mais temida do que hoje. Não havia os recursos dos quais dispomos agora para levar uma vida digna. E as consequências foram chegando devagarinho e debilitando Carlitos. Por nada, ele estava de cama; ficou com baixa imunidade e qualquer gripezinha era um Deus-nos-acuda.

Marina, sua mãe, fiel escudeira, esteve ao seu lado todo o tempo. Lutou pela vida do filho com unhas e dentes, como uma leoa que defende sua presa. Mas o vírus venceu e Carlitos veio a óbito. Marina se debulhou em lágrimas; não sabia mais o que fazer da vida, afinal tinha perdido seu filho único. Sua vida caiu num vazio, numa falta de sentido sem fim e Marina achou que fosse morrer de tristeza. Até que um dia, o padre da paróquia convidou Marina para ajudá-lo num abrigo com crianças aidéticas. Muita gente achou cruel aquele convite, pensando: “Esse padre não tem sensibilidade. A mulher está doida para esquecer o que aconteceu com seu filho e ele a leva para um abrigo onde cada criança sofredora lhe faz pensar em Carlitos!”.

Enganou-se, porém, quem pensou assim. Marina se encheu de coragem ao ver aquelas criancinhas precisando de tratamento e cuidado. Zelou por elas, amou-as, tratou cada uma com carinho e amor. E refez sua vida. Viajou o mundo, fez campanha contra a aids, salvou muitas vidas… E viu sua vida ser salva de uma tristeza mortal, pois descobriu dentro de si um amor maior que o mundo. Quem vê Marina hoje não pensa que ela já passou por tamanha dor. Vive alegre e feliz, sem deixar de se lembrar de seu querido Carlitos, é claro. Mas a perda do filho já não lhe tira as forças para viver, ao contrário, lhe dá forças para viver e fazer muitos viverem em nome do amor.


Testemunho anterior:   16. Refazendo decisões
Próximo testemunho:    18. Um motivo para viver
Print Friendly
Print this pageShare on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0Email this to someoneShare on Tumblr0