O Segundo Zacarias é certamente mais tardio que o Primeiro. Trata-se de um conjunto de oráculos anônimos, inclusive de épocas diferentes; alguns textos fazem alusões ao império grego, logo posterior a 330 aC quando o império grego dominou a região de Judá, cuja capital era Jerusalém. O livro mais parece uma colcha de retalhos: a impressão que temos é que o redator recolheu textos diversos e os congregou fazendo uma publicação para que nada se perdesse, mas sem muita obrigação de fazer os textos se ajustarem e se complementarem em sentido. Isso mostra que mesmo fragmentos de textos que trouxessem alguma esperança e exortação eram valorizados. Tentemos ajuntar os escritos e buscar uma visão global.

O livro é composto de duas partes: a primeira, feita de oráculos diversos, contempla os capítulos 9 a 11; a segunda, o Apocalipse de Zacarias, vai do capítulo 12 ao 14.

Na primeira parte, lemos no capítulo 9 um oráculo inicial que mostra que todos os povos são do Senhor (1-8); Deus intenta agregar os povos ao resto de Israel. O restante do capítulo 9 são dois belos oráculos de esperança e promessa: o povo que pertence ao Senhor pode pular e dançar de alegria, pois seu Messias é pacífico e bondoso (9-10); seu Deus é seu libertador (11-17). Logo em seguida, no capítulo 10, o autor fala da importância da pertença exclusiva ao Senhor: nada de ídolos – quem manda a chuva e dá a bênção é Deus e não os feiticeiros ou videntes com seus agouros (1-2); é ele quem liberta Judá de todo mal, ainda que para libertar não possa contar muito com a liderança (3-5). Deus mesmo é a força do povo e vai ampará-lo (6-12). Para fechar esta parte, o autor agregou um oráculo contra os poderosos (1-3) e uma parábola que deixa clara a irresponsabilidade dos mesmos (4-17): “Ai desse meu pastor de nada, que abandona o rebanho” (17a).

Na segunda parte, temos alguns oráculos com viés apocalíptico. No capítulo 12, Deus promete libertar Jerusalém e restaurá-la. No 13, ele mostra como será esta purificação, especialmente no campo da profecia: não haverá mais falsos profetas no meio do povo. No 14, Zacarias narra o grande e temível dia do Senhor.

Mesmo sendo o Segundo Zacarias um mosaico de partes aparentemente desconexas, fica uma mensagem: é Deus quem cuida do povo e o liberta, pois o Senhor é um Deus fiel, ele cumpre a promessa davídica. O povo pode manter sua esperança acesa: a história está nas mãos do Senhor; nada lhe é oculto, muito menos a irresponsabilidade de seus pastores. Nesta esperança, o povo aguardava o dia do Senhor, dia em que Deus mesmo viria fazer justiça, colocando os pingos nos “is”, acertando contas com os malvados – especialmente a liderança – que não ficou fiel à aliança.

Bom, para quem ama a Escritura e se encanta com cada versículo da bíblia, mesmo o Segundo Zacarias tem seu encanto. Na sua fragmentação uma mensagem salta aos olhos: Deus é fiel e não abandona a gente. Rezemos para que esta certeza nunca nos falte!


Livro anterior:  16. O Livro de Zacarias 1: O precioso amor de Deus por seu povo
Próximo livro:  18. O Livro de Malaquias: O amor gratuito de Deus tem suas exigências

Print Friendly
Print this pageShare on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0Email this to someoneShare on Tumblr0