A vida humana
É participação
Na via crucis
Do Cristo.

Para mim
sobrou a coroa
de espinhos.

Uma amiga disse
Que ficou
Com as quedas,
Não importa
Quantas foram.

Outro amigo acrescentou:
Sobrou-me a solidão
E o abandono
Do eterno meio-dia.

É por isso que fazendo
Poesia,
A gente vai tirando espinhos,
Levantando das quedas,
Dando voz aos abandonos.

É como quem rola a pedra…
A que cobre o furo da finitude…

O poema é a antecâmara
Para dentro do túmulo,
Que se espera que esteja
Vazio.
O poema é uma esperança,
Um sinal da Ressurreição.


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