Ouvi o mandato doloroso e às pressas tomei meu amado

E parti.

Minhas fibras resistiam

E meu coração relutava

O suor de meu corpo estranhava

Mesmo a mim.

Subi o monte da aflição

Tendo o amado preso à mão

Enquanto o punhal já estava cravado

Definitivamente em minha alma.

Chorando deitei-o.

Amando-o beijei-o

E não quis sacrificá-lo.

Se a fé falhava?

Se o anjo não vinha?

A mão levantada cravou sim a adaga,

Mas meu próprio peito.

E amando até o fim

Entreguei-me.

Porque meu amor era maior que minha fé?

Ou porque a fé desistia?

Por obsessão explícita?

Por egoísmo definitivo?

Não tive tempo de responder…

Achava que dando a vida poderia mantê-la.

Pois, por certo, se sacrificasse o amado,

Já teria morrido.


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