Das janelas, gosto das de tramelas,

Havidas no século passado

E que permitiam que abri-las de par a par

Era quase uma dança, um ballet.

Há palavras que me remetem a sonhos

E a memórias de outra vida.

É o caso de pão sovado.

Sinto cheiro e a textura de infância.

Queria mesmo era pintar,

para mim a mais linda das artes.

Pode-se pintar o cachorro deitado,

Como também se pinta a solidão.

Tivesse eu mão para pincéis

Pintaria a coragem, com cores fortes

Rabiscava, em crayon, gratidão

Não a palavra, mas o sentimento.

Juntaria ambas e ofereceria

Como se fosse uma flor, com laço e fita,

A quem não me deixou só nessa travessia.

(Poema dedicado aos que são a Faculdade Arnaldo, nesses 3 meses de isolamento empático)


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