eu encontrei a palavra num canto da existência

que não me importava muito.

foi logo depois de abrir a porta,

e à machada deitar toda a lenha na fogueira.

foi quando respirei fundo fora do armário

que percebi a solidez displicente dos versos. 

foi uma descoberta rápida de sobrevivência,

de me lançar a esmo do lugar comum onde me queriam colocado.

a poesia me salvou de ser quem eu não era.

e me presenteou com um lar seguro sem portas ou janelas

ou paredes ou perímetro e limite.

a palavra escrita me salvou de uma outra salvação sem mim.

o verso me ensinou a dizer o indizível e a aspirar o inefável do existir.


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