O Evangelho de Mateus traz um versículo intrigante que costuma não ser compreendido imediatamente. Trata-se de Mt 3,12: “A pá está na sua mão; limpará sua eira, seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo inextinguível”.

No tempo de Jesus, a comunidade judaica vivia na expectativa messiânica, ou seja, esperava com ansiedade a vinda do messias prometido. Esse messias seria precedido por Elias, ou seja, por alguém com o zelo e o carisma do profeta, conforme anuncia Malaquias: “Eis que vos enviarei o profeta Elias antes do grande e terrível dia do Senhor que vem. Ele irá converter os corações dos pais aos filhos e os corações dos filhos aos pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Malaquias 4,5-6).

Assim, quando uma figura semelhante a Elias aparecia,as pessoas concluíam que a maldição (ou a bênção) não poderia estar longe. O grande e terrível Dia era entendido, não somente por Malaquias, mas por vários profetas, como um dia de julgamento a ser realizado pelo Cristo em sua vinda à Terra. O batismo tinha essa função de preparar as pessoas para que não sofressem a maldição, ou o castigo, no dia do julgamento. Então é isto que João Batista espera de Jesus: que ele faça um julgamento.

“A pá está na sua mão”: O autor tem em mente a pá eólica, muito comum naquele tempo, cujo processo separava o trigo da palha. Era uma ferramenta semelhante a um tridente, usado para levantar o trigo colhido para o ar na direção do vento. O vento soprava a palha mais leve permitindo que os grãos caíssem na eira, uma grande superfície plana.

Este é um símbolo do julgamento, da separação entre os bons e os maus:

  • “Limpará sua eira, recolherá seu trigo no celeiro”: os bons serão levados por Jesus para um mundo novo, muito melhor.
  • “Queimará a palha com fogo inextinguível”: os maus vão passar por um processo de purificação semelhante ao do metal encontrado na natureza, como o ouro ou a prata que tem que expelir a escória.

Quando João Batista percebeu que Jesus não estava realizando nenhum julgamento ficou sem entender nada. Por isso enviou discípulos para perguntarem a Jesus se era ele o messias ou não (Mt 11, 1-3). Jesus mostra que a separação do trigo da palha é uma ação posterior. Primeiro, era preciso ensinar o amor; só depois poderia ser feita a separação.

Obs.: Malaquias 4,5-6 é na bíblia protestante, na bíblia católica é Malaquias 3,23-24


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