Num país muito distante daqui, na África, nasceu Agostinho, numa família marcada pela divisão. Seu pai – Patrício – era pagão e sua mãe – Mônica – uma cristã fervorosa. Entre Patrício e Mônica havia muitas diferenças. Eles viviam em mundos muito distantes. O pai – arrogante, colérico e violento – chegava a espancar sua esposa. Era uma família dividida. Mas havia a força de uma mulher de fé que não desistia de lutar.

Naquele tempo, os costumes eram outros e Agostinho não foi batizado de pequeno. Cresceu, estudou e desenvolveu-se muito, tornando-se culto e brilhante na sociedade. Mas enquanto brilhava nos estudos e na profissão, frustrava-se cada vez mais no campo da realização pessoal.

Com o tempo, Agostinho foi morar longe da família e começou a esquecer os valiosos ensinos de sua santa mãe. Sem os conselhos insistentes da mãe, enveredou-se por um longo e árduo caminho de perdição. Entregou-se a paixões, bebidas, etc. Mergulhou nesse mundo de fantasia e ilusões. E quanto mais prazer encontrava, menos feliz se sentia. É impressionante como a felicidade nem sempre se liga a certo tipo de prazer. Agostinho era apenas um adolescente e já havia experimentado de tudo, numa orgia sem fim. Mas seu coração estava vazio.

Então, era preciso preencher esse vazio. Agostinho procurou de tudo: teatro, jogos, artes. Mas, nada! Chegou a entrar numa espécie de seita chamada maniqueísmo. Procurou refúgio na bebida. Caiu numa ociosidade e num tédio sem expressão. Mas não conseguia reagir e mudar de vida.

Entrou, mais tarde, num grupo chamado “Demolidores”. Eram jovens que armavam confusão por toda parte, uma espécie de gang de subúrbio. Não demorou muito, arranjou uma amante, amigou e teve um filho com ela. Era tudo muito rápido e sem pensar. Não poderia dar certo. O vazio parecia aumentar a cada dia, como se ele fosse um imenso nada.

De tanto quebrar a cabeça, Agostinho se viu forçado a refletir. Sua vida era apenas uma sequência de fatos impensados. Não havia ideal. Pensando nisso, resolveu refugiar-se na leitura. Encontrou um livro que despertou seu coração. Subiu-lhe uma enorme vontade de se sentir realizado. Tentou ler a Bíblia, em busca da verdade. Mas nada entendeu.

Enquanto isso, Mônica via o sofrimento vazio de seu filho e chorava um pranto copioso, implorando a Deus a conversão daquele resto. Parecia, no entanto, algo impossível. Alguém precisava fazer alguma coisa.

Foi como que num último esforço, que Agostinho conheceu o bispo Ambrósio, famoso pelas tocantes pregações que transmitiam forte presença de Deus. Motivado pelas pregações de Ambrósio, Agostinho debruçou-se novamente sobre a Bíblia. Começou a ler os escritos de Paulo e emocionou-se quando sentiu em Rm 13, 11 o grande convite de Deus: “Já é hora de despertar do sono. A salvação está perto…”

Estava decidido! Era preciso acordar do grande pesadelo que fora sua vida e acolher a salvação tão distante e ao mesmo tempo tão perto.

Ninguém apostaria muito naquela conversão a não ser sua mãe. Mas aos poucos foi crescendo em Agostinho aquela paixão por Jesus que tomou conta também da vida do apóstolo Paulo. E, como tantos outros seguidores de Jesus, ele quis pertencer totalmente a Deus, fazendo opção total pelo Reino.

E não se tem mais notícia, a partir de então, de que Agostinho tenha sentido algum vazio em seu coração.


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