Deus desconhecido e mudo, vossos vestígios apagados,
como escavações cobertas pela poeira dos anos, me desolam.
Mesmo assim ouvi ainda: 

Vejo pés rachados pisando solos rasgados pela seca.
Mas quando leio vossos textos que me dizem que sois como a chuva que empapa a terra,
choro de esperanças… 

É que as senhoras e os homens trôpegos vão tão longe com a lata no coração…
mas nestas terras não conseguimos mais colher a água que não brota.
E as buscas parecem, enfim, não ter respostas. 

Encheremos as latas com nossos lamentos – e só?
Até a borda choraremos nossos desconsolos e
vossa reverência permanecerá muda? 

Antes acreditei que, por ser fruto da liberdade, a fé deveria permanecer improvável.
Hoje creio que ela nasce da resistência,
pois nossas incertezas são evidências cada vez mais incontornáveis… 

Eu gostaria que minhas palavras tortas e heréticas
rasgassem vossa in-existência e, de algum modo, provocassem outra vez,
depois desse sumiço, vossa epifania… 


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