Quiçá a vida fosse
Doce como um manjar.
Um pedaço de ameixa
Levado à boca,
Depois do jantar.
E o descanso da rede,
Na noite calma e estrelada.
Um beijo no meio do nada.
Um afago sem palavra
E a palavra sem fôlego,
O passo trôpego,
E seu olhar que lavra
O ouro em meio ao barro.
O seu amor que faz a vida
Doce, em meio a acidez.
Em meio à estupidez.
Que interrompe a rapidez,
Limpidez em meio ao
Lamaçal.
Quiçá a vida fosse
Uma chuva na tarde quente,
E o sol ainda aí ,
Abrindo o arco-íris.
Quiçá…
Fosse a pomba voando,
Ramo no bico,
Uma mensagem para
O mensageiro.
Que há paz,
Há paz.
E o afogamento
Acabou.


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