Temos insistido em outros artigos que a Catequese Permanente exige uma mudança nos conceitos e na prática catequética. No primeiro artigo desta série sobre a organização paroquial, falamos de três mudanças: mudança na pedagogia catequética, mudança na teologia que a catequese comunica e mudança na organização da catequese. Uma mudança muito necessária é a mudança em relação ao modo de compreender a família e de integrá-la no processo catequético.

Nas catequeses anteriores, seja na catequese tradicional ou na catequese renovada, os pais eram sempre entendidos com os primeiros responsáveis pela catequese dos filhos. Eles eram ditos os “primeiros catequistas”, cuja responsabilidade era transmitir a fé aos filhos. Na Catequese Permanente esse conceito mudou. A Catequese Permanente entende que os pais são os primeiros catequistas dos filhos, mas não no sentido que eles têm a obrigação de uma catequese formal. Eles são os primeiros catequistas porque eles fornecem aos filhos, no calor de seus braços, a primeira experiência de Deus que é amor. Mas eles não são os primeiros catequistas no sentido que vão ensinar religião e fé para seus filhos. Não! Nesse sentido, a primeira catequista é a comunidade eclesial, a Igreja. É ela que tem a tarefa de evangelizar, de anunciar o evangelho como disse Mateus: “Ide pois fazer discípulos entre todas as nações!” (16,19). À Igreja cabe a missão evangelizadora. Ela existe para evangelizar: essa é sua missão mais genuína.

Ora, se a família passa a ser entendida de modo diferente, diferente deve ser também a prática da catequese na abordagem à família. Se antes, a catequese cobrava participação dos pais, era porque entendia que essa era tarefa deles. Numa sociedade tradicional, na qual a família era essencialmente religiosa – no caso, a religião cristã –, entende-se que ela seja transmissora da fé. Assim, quando necessário, a Igreja advertia os pais quanto à sua responsabilidade de transmitir a fé, de educar os filhos na fé. Ela cobrava participação eclesial dos pais, frequência aos sacramentos etc. Tudo isso porque a família era católica: os pais eram católicos praticantes; os filhos deveriam sê-lo também.

Hoje em dia, o quadro social mudou muito. As famílias, e os pais em geral, não vive mais aquele ar sagrado de antes. Seu horizonte de fé foi reduzido a algumas lembranças da infância, a algumas práticas religiosas e a algumas piedades populares. Isso não é suficiente para transmitir a fé num mundo onde Deus sofre um escondimento; ele não é mais visível como antes, nem necessário como antes para explicar a vida, o mundo, os fenômenos naturais etc. Nesse novo modo de sociedade, surgiram novas configurações familiares com uma fé cristã bem incipiente, bem tênue… A fé está lá, mas como uma chama que ainda fumega. A fogueira da fé não trepida como antes. Precisamos fazer todo esforço para recuperar essa chama, para não deixá-la ser extinta. Não é com cobranças e moralismos que isso vai se resolver.

Então, para atrair os pais e conseguir que sejam nossos parceiros na catequese, vamos dar a eles bons motivos para participar. Precisamos atrair os pais; eles próprios precisam ser evangelizados, num processo lento e sutil, sem que isso precise ser dito. Uma boa ideia é planejar uma festa para os pais. Pode ser com toda a catequese paroquial, se a paróquia é pequena e comporta isso, ou pode ser por comunidades. A coordenação planeja atividades com as crianças das turmas. Elas vão cantar algo que aprenderam na catequese, fazer uma encenação, uma performance qualquer, um jogral, uma atividade lúdica… (Vamos tentar postar em anexo um roteiro de festa para os pais). Os pais certamente irão participar para ver seus filhos. Vão estar lá filmando, fotografando tudo.

Ótimo! Além dessas atividades de apresentação, os catequistas podem fazer uma exposição dos trabalhos feitos nos encontros. A cada encontro, os catequistas recolhem as atividades, põem-nas em cartazes ou em portfólios, de forma que os pais possam acompanhar a evolução dos filhos no itinerário catequético.

É claro que cada turma deverá fazer algo de acordo com sua idade e seu módulo. Os adolescentes não vão querer ver seus trabalhos em portfólios, mas certamente se entusiasmarão em planejar e apresentar um belo teatro.

Para começar a festa, aconselhamos um pequeno momento orante, envolvendo músicas, Palavra de Deus, símbolos. Ao final, quem sabe um lanche comunitário?

No próximo artigo falaremos de outra opção muito bacana: as celebrações.


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