O caminho das palavras.
O caminho das brasas,
Sacudidas,
Como que à procura
De alguma chama
A reacender.

O caminho de descida,
De tomar distância.
Mas ele se fez proximidade.
A visita da palavra,
Ela mesma fogo.

E o nosso coração tornou-se
A sarça que ardia,
No entardecer.
O entardecer se incendiou.

O pedagogo das palavras,
Foi tecendo-as como se tecem
Passos;
Num dis-curso,
Em meio a nossa errância,
Fez um percurso;
Rasgou nossas trevas,
Rasgou nossas tristezas,
E rasgou nossa morte;
Acaso não ardia nosso coração?

No meio da noite, rasgou o pão;
E com ele, nossa cegueira.


Poesia anterior:     146. Crisálida
Poesia anterior:    148. Sede
Print Friendly, PDF & Email