O Apocalipse tem uma linguagem simbólica; nunca deve ser tomado ao pé da letra. A marca da Besta é apenas uma metáfora para dizer sobre os opositores do cristianismo, ou seja, os membros do império romano que denunciavam os cristãos na época em que o Apocalipse foi escrito (cf. Ap 13,16-17; 14,9-11). Assim como aparece a marca da besta, o Apocalipse também fala da marca do Cordeiro, ou seja, daqueles que pertencem a Cristo e a ele seguem e servem. Quem é do time da Besta tem sua marca; quem é do time do cordeiro tem sua marca, ou seja, cada um assume características conforme a opção que faz.

Mas de onde veio então essa ideia de que a marca da besta é um chip colocado no corpo das pessoas? A preocupação com a marcada besta ganhou realce por causa de uma lenda urbana, surgida em 2012 e divulgada nas redes sociais desde então, que noticiava a implantação de um chip nos americanos que se submetessem ao serviço público de saúde. Com a reforma das empresas de seguros privados, as quais cobram taxas exorbitantes, muitas pessoas nos EUA começaram a mudar para um plano de seguro mais acessível ou abandonaram seus planos de saúde para dependerem novamente da saúde pública. Apavoradas com a possibilidade de serem controladas pelo Governo, surgiu a lenda do chip que controlaria a vida dos americanos.

Nenhuma lei sancionada pelo presidente Obama determinou que qualquer microchip ou dispositivo semelhante fosse implantado nas pessoas, por qualquer motivo que fosse. A legislação simplesmente pediu a criação de um registro que permitiria ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos coletar dados sobre dispositivos médicos “usados em paciente” sobre ou sob a pele (como marca-passos ou próteses) com a finalidade de analisar a eficácia de tais dispositivos, facilitando a comunicação com os fabricantes.

Os profetas do fim do mundo transformaram essa implementação do Governo dos EUA em marca da besta. Conforme circula na internet, os adultos que optam pelo serviço público de saúde teriam um chip implantado sob a pele. Crianças concebidas por pais que já estivessem cobertos pela opção pública provavelmente receberiam o mesmo procedimento. Os bebês nascidos nos Estados Unidos, que no momento do nascimento não tivessem cobertura de um plano de saúde privado, seriam classificados através da implantação do chip e colocados no Programa de Seguro de Saúde Infantil.

Algumas postagens no Facebook exibiram fotografias do suposto chip, fabricado para ser implantado nas pessoas, descrito como sendo do tamanho de um “grão de arroz”. Contudo, o chip mostrado na foto é usado para o monitoramento dos níveis de glicose em pacientes com diabetes, em substituição às picadas de agulha universalmente odiadas. Ele está sendo usado por diabéticos nos EUA desde 2007.

Resumindo: um dispositivo, microchip, seria implantado nas pessoas que fizessem a opção de ter seus tratamentos médicos cobertos pela saúde pública. E isso seria a marca da besta do Apocalipse que traria como resultado a adoração do Anticristo.

Alguns links sobre o assunto:

http://standupforthetruth.com/2012/11/is-microchipping-implanted-in-health-care-bill/

http://www.snopes.com/politics/medical/microchip.asp

Link para as fotografias:

https://sphotos-b.xx.fbcdn.net/hphotos-ash4/428117_340688179317501_156448019_n.jpg


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