Se a vida se corta
(e se recorta),
entre retalhos, tece
(com fio fugaz)
a existência tão tênue de um dia
após o outro,
costurados à mão.

A colcha se forma
nos retalhos que se ajuntam.
Antes, sobras e pedaços,
(perdidos e desprezados)
de vida que se desfaz.

Noutro dia, novo e sempre renovo,
no esquecimento do que se foi,
a esperança fulgura
e a tristeza de ontem
– afogada em estrelas que insistem em piscar –
se esvai nas nuvens
(antes densas e agora leves como plumas)
que o vento leva
não sei pra onde
(Pra que saber?)

A luz reverbera no céu,
que não tem dono,
que não tem cercas,
nem interditos ou maldições.
E ecoa um silêncio gritante
fazendo crer:
A vida é mais!


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