É hora de começar a catequese. Durante meses, a paróquia se mobilizou para organizar o trabalho, no empenho de implantar a Catequese Permanente. Os coordenadores e catequistas se empolgaram com o novo projeto; o pároco apoiou e aprovou as inovações; os conselhos também foram participados e convidados a reforçar o time; a comunidade eclesial foi conscientizada da necessidade da mudança; novos catequistas foram congregados; os catequizandos foram convidados. É como disse Jesus: hora da festa; tudo está preparado! Que venham todos para o banquete do Reino, pois nessa festa ninguém pode ficar de fora. Crianças, jovens, adultos… Todos são convidados. Famílias clássicas; novos modelos de família… Todos são convidados. Católicos assíduos, participantes, que militam nos movimentos e nas pastorais, mas também gente que anda afastada das celebrações, dos eventos da comunidade eclesial… Todos são convidados. Pessoas que já receberam os sacramentos e quem ainda não os recebeu… Todos são convidados. Aqueles que se afastaram da Igreja e professam a fé em outra denominação; aqueles que não têm religião alguma… Todos são convidados. Pai, mães, tios, avós, amigos, parentes seja por laço sanguíneo ou por laços afetivos… Todos são convidados.

Nos primeiros encontros, haverá desencontros. Nada de novo sob o sol! Mudanças sempre geram desacertos, que exigem paciência, amor e determinação. A comunidade eclesial estava acostumada com um ritmo catequético – uma valsa – e agora a música mudou: ela precisa dançar noutro ritmo, bem mais acelerado, um samba! Mas a melodia é contagiante… Ninguém vai fazer curso de samba pra aprender a sambar. Aprende-se a sambar “caindo no samba”! Os melhores e as melhores sambistas não são dançarinos profissionais, mas aquelas e aqueles que nasceram ali no quintal da escola de samba, que foram embalados com o batuque do samba desde criança. Já cresceram sabendo sambar. Então, o remédio para os passos equivocados serão novos passos, nova tentativa, e mais uma vez e outra, até acertar, até o ritmo da música fazer parte da vida da gente.

Para ajudar a aprender esse novo ritmo, será muito importante manter uma agenda de encontros, reuniões, partilhas, celebrações… tendo começado a catequese, os coordenadores devem estar atentos a tudo. Crianças vão precisar trocar de turmas e de horários; cuidado para não trocar de módulo! Uma criança de 5 a 7 anos não deve passar do Pré 1 para o Módulo 1. Se o horário de sua turma não é bom, ele deve ir para outra turma do Pré 1. O mesmo acontece com crianças de 8 a 11 anos. Trocando de turma, vá para outro Módulo 1 e não para outro módulo qualquer que porventura haja na paróquia.

Também catequistas podem não se adaptar às suas turmas. Alguém achou que ia gostar de crianças de 10 e 11 anos, mas não gostou. Quer trabalhar com crianças de 5 a 7 anos. Um catequista achou que daria conta da turma sozinho, mas agora está achando o trabalho puxado, logo tem que arranjar um parceiro para dar um reforço. Outro catequista começou entusiasmado, mas apareceu-lhe um emprego em outra cidade e vai precisar se mudar; logo, a turma não pode ficar sem catequese etc.

Pais podem reclamar. Eles acharam que seus filhos iam fazer a primeira comunhão logo e descobriram que a caminhada não é curso para primeira comunhão. O catequista precisa pacientemente atender quem tem dúvidas e explicar direitinho. Outros acham que o catequista não está ensinando o que devia; é preciso informar que todos estão “ensinando” o que o livro determina. Alguns vão ficar curiosos querendo saber como é o encontro, então que venham e participem com seus filhos!…

E o pároco, diante de tanta mudança, começou a retroceder. Começou a achar que a mudança foi grande demais, começou a vacilar… É preciso ficar firme: “Importa prosseguir decididamente”, como disse Paulo aos Filipenses. Mas que toda a caminhada seja marcada pela ternura, pelo amor, pela acolhida do outro e de suas angústias, dúvidas e problemas. Nada de intransigências! Nada de brigas! Nada de autoritarismos ou disputas de poder. Essas coisas não fazem parte do Reino! Com paciência, determinação, zelo pelas coisas de Deus e muita bondade, tudo terá solução. É uma questão de tempo. Como dizem os mineiros, “no sacudir da carruagem, as abóboras se ajeitam!”. Coragem! O trabalho está apenas começando!

No próximo artigo, falaremos sobre as reuniões de aprofundamento e avaliação do processo.


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