Na esteira da vida,

Passeiam a dor e a esperança de mãos dadas,

Sem poder se desvencilhar.

Seguem caminhantes como irmãs siamesas,

Unidas pelo nascimento e sem chance de separação.

A vida de uma alimenta a outra.

O sangue de uma corre nas veias da outra.

Algumas vezes, a esperança corre faceira arrastando a dor.

Noutras, a dor pirraça e finca os pés no lugar, tirando a leveza da esperança.

Não raras ocasiões, a dor dá comida na boca da esperança e,

Mesmo sendo amargo o seu pão, ele a nutre e a fortalece.

Quando a esperança vacila, a dor a recorda da necessidade de sonhar.

E, se por acaso, a esperança adoece, a dor dilacerada chora por sua irmã.

Quase moribunda, a esperança vê a dor se extinguir, pois já não se importa mais com nada.

Então, a mãe resistência carrega-as no colo e reconcilia as irmãs.


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