Maria é uma menina dedicada e cheia de qualidades. Ela está com doze anos e já ajuda no coral da Igreja. Pega o microfone e canta sem medo, porque tem uma bela voz e muita vontade de ajudar.

Nas missas, Maria se destaca. Está sempre animando as celebrações com seu canto bonito e afinado. Se tem casamento na Igreja, ela é convidada para cantar. E faz isso com muito gosto e dedicação.

O problema é que, em casa, as coisas não andam bem. Maria tem uma irmã mais nova. Os pais saem para trabalhar e deixam a caçula, com cinco anos apenas, por conta de Maria.

Outro dia, a irmã caçula fez arte e pegou a maior birra. Maria, sem saber o que fazer, acabou dando uns tapas na irmã mais nova e xingou a irmã todinha. A mãe de Maria chegou, viu a confusão e, também nervosa, deu uns tapas em Maria. O pai de Maria foi chegando do serviço, viu a confusão e deu uns tapas na esposa, que tinha dado uns tapas em Maria, que tinha dado uns tapas na irmã caçula.

A vizinhança ouviu o barulho e correu para acudir. Alguém ligou para o Conselho Tutelar.

Uns diziam: “Nossa, essa menina já está bem grandinha, com doze anos, para fazer um escândalo desses. Vejam, ela agrediu a irmã caçula! Depois, dá uma de santa cantando na Igreja. Isso não pode ser! Pra que serve cantar na Igreja, se depois fica brigando em casa? Vejam que ela causou uma confusão para a família inteira, envolvendo até os pais, que chegam em casa cansados do serviço. Agora eles terão que se acertar com as autoridades. O Conselho Tutelar vai fazer uma ocorrência. Que vergonha!”


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