No quarto escuro,
Na noite calma,
Um corpo
De carne
E letra
Treme.

Tem em si um oco
Que enfrenta.
Que aceita,
Ama
E atravessa.
Atravessado,
Fez-se travessia.
Pisado,
Fez-se caminho.
Vazio,
Fez-se abrigo
Para o abandono.

Uma ruína de palavras
Que remetem
Ao imemorável.
Aos silêncios mais docentes.
Transformando o amargor
Em doce mel de favos,

O corpo de carne e letra
Descobriu valor
Além da razão
E do medo.


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