O dono da empresa culpou o engenheiro.
O engenheiro culpou o encarregado.
O encarregado culpou o sentinela.
O sentinela culpou o operador da sirene.
O operário da sirene culpou o povo, que era surdo.
O povo morreu soterrado, sem tempo de culpar ninguém.
Só o dono da empresa não foi culpado de nada.
Dormiu em berço esplêndido sonhando com o próximo jogo de empurra, no Vale de lamas.


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