Não é incomum encontrar por aí comunidades eclesiais que fazem celebrações litúrgicas dominicais para crianças. Este já foi um hábito muito frequente, mas ainda não se extinguiu. Em tempos idos, quando a CNBB aprovou o documento “Missa com crianças e grupos populares”, uma pérola rara que caiu no esquecimento e foi tirada de nossas prateleiras, muita gente boa enveredou por esse caminho e preparou celebrações específicas para as crianças e suas famílias. Já falamos que a liturgia tem linguagem universal por causa dos símbolos, mas sabemos que nem sempre aproveitamos esse potencial simbólico. Enlatamos a liturgia, engessamos os participantes e cumprimos a rubrica, que diz muito pouco aos adultos, quanto mais às crianças. Foi pensando nisto que a CNBB aprovou o documento já citado e encorajou as comunidades a se arriscarem em celebrações mais livres, com mais expressão da vida e menos cumprimento ritual. Muita coisa bonita se viu por aí nesta ocasião. O documento dava liberdade para eliminar leituras, extinguir ritos, re-arrumar os rituais, de forma que facilitasse o mergulho das crianças e de suas famílias no mistério celebrado. Pais e filhos participavam melhor da liturgia; a celebração ganhou vida e vigor na voz de crianças e pais que cantavam e rezavam alegremente sem muitos pudores da rubrica. Certamente não defendemos que a missa se transforme em um espetáculo de circo, mas nada impede que a vida infantil fique expressa na liturgia quando as crianças são maioria nos ambientes. Sou de opinião que não precisamos de missas de crianças, nem de jovens, nem de doentes, se nossa liturgia for vivida com mais profundidade e celebrada com mais espontaneidade e menos formalismo. Mas não sendo assim, não vejo impedimentos para a prática da missa com crianças e seus pais. As famílias agradecem e as crianças se sentem valorizadas.

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